O truque de Bolsonaro 

A entrada do Centrão como aliado do governo Bolsonaro, ainda que pareça que trará um clima moderado ao ambiente político, ao que tudo indica, deverá ser apenas mais do mesmo.

Por meio de Ciro Nogueira, o recado já foi dado. O novo ministro da Casa Civil de Bolsonaro pediu moderação ao presidente após live realizada no último dia 29 de julho, com duração de quase duas horas. Nela, o presidente Jair Bolsonaro passou, mais uma vez, de todos os limites.

Em uma fala com acusações levianas sobre “fraudes” nas urnas eletrônicas em 2018 e em defesa do voto impresso, ele baseou-se em informações e conteúdos de internet, e sem comprovações.

As reações dos dirigentes do partido e de apoiadores do governo no Congresso foram imediatas solicitando ao presidente a atitude de rever seu discurso. Mas o fato é que não se pode esperar nada diferente, afinal, esse truque já foi usado inúmeras vezes anteriormente.

Bolsonaro estica a corda, ultrapassa a linha do aceitável na postura de uma autoridade em um sistema democrático, e quando é rebatido por outros poderes ou forças políticas, ele reage abaixando o tom, mas já se sabe que é algo provisório.

O que de fato é previsível agora na postura de Bolsonaro após receber uma chamado do Centrão é que ele passará alguns dias parecendo moderado, até fazer uma nova escalada.

Não é a primeira e nem será a última vez que assessores, analistas e até aliados do governo acreditam que o presidente iria mudar ou melhorar seus discursos descabidos.

A estratégia do Centrão de se apresentar como a ala que vai acalmar Bolsonaro, moderá-lo, após receber a parte mais vistosa do bolo do governo, será mais uma falácia. Isso já foi pretendido por outros grupos e todas as vezes viraram água.

Os militares já fizeram sua tentativa, chegaram a declarar que reprovaram a presença do presidente em manifestação, realizada em 2020, em frente ao Quartel General do Exército contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, o protesto chegou a pedir intervenção militar, gerando “desconforto” para a cúpula militar. Era o que diziam à época. O que se viu foi que os militares buscaram ser essa ala moderada que segurava o presidente, mas não deu certo. Acabaram eles mesmo radicalizando em algum momento, e sendo incendiários como o próprio presidente.

Em outro momento, foi do STF a iniciativa de fazer esse papel. O presidente da corte, Luiz Fux, chegou a se reunir com Bolsonaro para tentar impedir a escalada de uma nova crise entre os poderes.

Agora é a vez do Centrão, e pelo tamanho do bolo que recebeu, assumindo o comando da Casa Civil, o partido busca passar o recado de que será a frente moderadora, o poder moderador quer irá frear Bolsonaro.

Para eles, esse caminho é conveniente na busca de justificar o fato de estar entrando no barco em um novo momento de escalada autoritária do governo contra as instituições.

Bolsonaro, como das outras vezes, pode até fingir nos primeiros momentos que aceitou o freio do Centrão, a “canga” dos partidos da base, mas de certo não vai mudar o rumo para o bom senso, virtude que ele demonstrou não ter ao longo desses dois anos e meio de mandato.

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