Intermediário da Covaxin fez pagamento milionário a ex-presidente da CBF

Um inquérito que corre no STF desde 2017 e apura desvios no Postalis, o fundo de pensão dos Correios, revela que Francisco Maximiano, dono da empresa Precisa, que intermediou a venda da vacina indiana Covaxin para o governo Bolsonaro, tem relações antigas com figuras públicas investigadas. Segundo um relatório da Receita que faz parte da investigação, em 2013 e 2014, uma outra empresa de Maximiano, a Global, pagou cifras milionárias a escritórios de advocacia. O que mais recebeu – 7 milhões de reais no total – foi o Marco Polo Del Nero Advogados Associados, que tem como sócio o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Del Nero foi banido de suas atividades pela Fifa depois de denúncias de corrupção, mas até o momento não é formalmente investigado nesse inquérito sobre o Postalis, apesar da menção a seu nome.

Outro escritório listado como beneficiário da Global é o Oliveira Romano Sociedade de Advogados, que recebeu quase 1,3 milhão de reais. Um dos sócios dessa banca, Alexandre Romano, fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal e delatou o esquema de desvios no fundo de pensão. A investigação está no Supremo, sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, porque envolve o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e seu suposto operador, Milton Lyra. Eles negam envolvimento em irregularidades.

A empresa Global, de Max, já tem problemas com a Justiça por causa de um contrato de venda de medicamentos fechado com o governo federal na época que Ricardo Barros (PP-PR) era ministro da Saúde de Michel Temer. Hoje, Barros é líder do governo Bolsonaro na Câmara e está na mira da CPI da Pandemia junto com Max devido às negociações em torno da vacina Covaxin. Barros deve ser ouvido pela CPI na quinta-feira, 12. O depoimento de Max ainda não tem data marcada.

Os advogados de Max, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, afirmaram que a delação que embasa o inquérito é mentirosa e que a apuração se arrasta há mais de seis anos sem quaisquer indícios de irregularidades. “Francisco Maximiano não foi indiciado muito menos denunciado pelas autoridades em razão das acusações infundadas por parte de Alexandre Romano. Todas as operações financeiras citadas foram legais e seguiram todos os critérios de integridade e compliance”, disseram os advogados. Del Nero não respondeu aos contatos até o momento.

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