Médico Nabil Ghorayeb é denunciado pelo MP por importunação sexual

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o médico cardiologista Nabil Ghorayeb, 74 anos, pelo crime de importunação sexual contra a filha de uma de suas pacientes. De acordo com o Código do Processo Penal (CPP), a prática pode resultar em uma pena que vai de um a cinco anos de prisão e é descrito como “ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro” sem anuência. A decisão é do promotor Osias Daudt.

A denúncia foi feita no caso envolvendo A.R.C., que conta que Ghorayeb elogiou seus atributos físicos, dizendo que ela era bonita e pedindo que abaixasse a máscara para que pudesse ver seu rosto em consulta realizada em 11 de janeiro deste ano. Na ocasião, o médico ainda teria acariciado as pernas da vítima e tentado colocar a mão por baixo de seu vestido. Ao não conseguir, A.R.C. afirma que o cardiologista tocou as partes íntimas dela por cima da roupa e a forçou para que ela tocasse seu pênis por cima das calças. O episódio ocorreu no consultório do próprio médico, que fica localizado no bairro Ipiranga, em São Paulo – A.R.C. foi presencialmente até o local para que a mãe dela, que à época estava internada, fosse atendida por videochamada.

No relatório final do inquérito policial, ao qual VEJA também teve acesso, a delegada Jacqueline Valadares da Silva, titular da 2ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) da capital paulista, escreveu que “verifica-se que a conduta imprópria praticada pelo médico Dr. Nabil remonta de longa data, sendo que algumas das vítimas ouvidas ao longo deste caderno investigatório reportam situações abusivas datadas de quase trinta anos atrás, assim como foi identificado BO e denúncia no CRM acerca da conduta inadequada do médico”.

Procurado pela reportagem, o advogado Eduardo Sampaio, que faz a defesa de A.R.C., disse que a denúncia foi uma “grande vitória”. “Estamos aguardando ser recebida a denúncia pelo juiz criminal e posteriormente pretendemos nos habilitar como assistente de acusação no processo”, afirmou Sampaio.

Com especialidade em medicina esportiva, Ghorayeb tem uma longa trajetória profissional ligada ao HCor e ao Instituto Dante Pazzanese. As primeiras denúncias contra o médico vieram à tona no final de maio. Na época, em comum acordo com Ghorayeb, o HCor o afastou de suas funções no hospital. Até agora, oito mulheres já protocolaram queixas do tipo. O médico nega todas as acusações.

O comportamento de Ghorayeb já foi objeto de uma sindicância no Conselho Regional de Medicina de São Paulo após uma denúncia de uma paciente, que o acusou de tentar beijá-la à força na boca durante uma consulta. O caso teria ocorrido dentro do HCor em 2002 e foi notificado pelo advogado da vítima ao Conselho de Ética Médica do hospital. A sindicância do Cremesp acabou sendo arquivada. Questionada por VEJA na época do afastamento do médico pelo HCor se já havia sido feita alguma investigação interna a respeito de Ghorayeb, a assessoria de imprensa do hospital enviou nota à redação afirmando que “não há na Ouvidoria do hospital manifestações, referentes a assédio, praticados pelo médico na instituição”.

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