Cinco conclusões definitivas e preocupantes trazidas pelo IPCC

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, foi publicado nesta segunda-feira, 9, e indicou que o aquecimento global está avançando mais rapidamente do que o esperado. O estudo ainda aponta que a atividade humana está alterando o clima do planeta de maneiras “sem precedentes” e que algumas das mudanças já se tornaram “irreversíveis”. 

Apesar de ser feito em cima de projeções, o novo relatório é considerado importante para os próximos passos que serão dados pela humanidade, uma vez que apresentam situações e cenários que já estão em curso.

A mudança climática é intensa e causada pelo ser humano

De acordo com o painel, aquecimento global não é um problema para o futuro. Ele já está em marcha, impactando diretamente a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Segundo o IPCC, os picos de temperatura passarão a ser mais frequentes conforme o planeta fica mais quente. Não existem mais dúvidas de que a humanidade é a responsável pelo avanço do aquecimento global. Para os cientistas, a questão não é mais se a temperatura poderá ou não subir, mas sim quanto.

Embora a situação seja muito séria, não haverá diferença da noite para o dia. De acordo com Amanda Maycock, uma das autoras do documento, ainda que a humanidade siga pelo caminho de zerar as emissões, os efeitos serão sentidos apenas no final do século.

O nível do mar continuará subindo

O relatório apontou que, se o cenário atual se mantiver, o nível do mar pode ultrapassar subir cerca de 2 metros até 2100, chegando a 5 metros em 2150. Embora esses números sejam tratados como improváveis, eles não podem ser descartados. 

Ainda que a humanidade consiga reduzir suas emissões, o mar irá subir de qualquer maneira nos próximos anos. Mesmo que os efeitos sejam brandos, as consequências serão significativas.

O limite é 1,5 graus Celsius

Quando o último IPCC sobre as mudanças do clima foi publicado, em 2013, a ideia de 1,5ºC sendo o limite global seguro para o aquecimento foi pouco considerada. Um novo relatório especial em 2018, no entanto, mostrou as vantagens de se manter essa meta. 

Para alcançá-la, o lançamento de carbono na atmosfera deveria ser cortado pela metade até 2030 e as emissões líquidas cortadas até 2050. Caso contrário, o limite seria alcançado entre 2030 e 2052. O novo IPCC reafirma essa conclusão, atestando que a temperatura pode subir acima de 1,5 graus Celsius em cerca de uma década.

Cientistas já têm um vislumbre do que pode ser feito para mudar

Através de simulações climáticas para estimar quanto a Terra irá esfriar ou aquecer, cientistas conseguiram traçar com mais precisão a temperatura que o planeta pode alcançar caso os índices de dióxido de carbono sejam dobrados. Desse modo, é possível alcançar previsões mais precisas.

Além disso, foi possível detectar o papel do metano no aquecimento global. De acordo com o IPCC, 0,3ºC do 1,1ºC que a Terra já esquentou vem do gás. Portanto, reduzir as suas emissões oriundas de indústrias de gás e óleo, por exemplo, pode significar uma vitória a curto prazo. 

IPCC pode abrir novos caminhos

O relatório foi divulgado apenas alguns meses antes da COP26, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, e pode influenciar diretamente nas reuniões, a exemplo dos documentos de 2013 e 2014 que pavimentaram o caminho para o Acordo de Paris, em 2015. 

Caso a conferência termine de maneira insatisfatória, os tribunais nacionais podem ser cada vez mais acionados. Nos últimos anos, ativistas ambientais na Irlanda e na Holanda procuraram os fóruns para exigir uma ação por parte dos governantes locais. 

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 ocorrerá na cidade de Glasgow, na Escócia, entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro.

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