Desmatamento dispara em 2020 e aumenta pressão sobre o Brasil

O mundo perdeu ao menos 42 mil quilômetros quadrados de área verde no ano de 2020, de acordo com um levantamento divulgado nesta quarta-feira, 31, com base em dados da Universidade de Maryland e da plataforma de monitoramento online Global Forest Watch. A quantidade total de território perdido está bem acima da média dos últimos 20 anos, sendo o terceiro pior ano desde 2002, quando o monitoramento teve início.  

O levantamento mostrou que, apesar da pandemia de coronavírus, os números cresceram de forma considerável, ao mesmo tempo em que ocorreu uma drástica queda nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Ao todo, houve um aumento de 12% no desmatamento em relação a 2019.  

A perda considerada mais grave foi na floresta amazônica, juntamente com florestas do Congo e do sudeste da Ásia. Vistas como vitais no controle da regulação do clima global, elas juntas totalizaram uma perda de 4,2 milhões de hectares, valor equivalente às emissões anuais de mais de 550 milhões de carros.

Os constantes casos de desmatamento no Brasil fizeram com que o país tivesse o pior desempenho: cerca de 1,7 milhão de hectares foram destruídos, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Mesmo com políticas de contenção e proibição do uso do fogo para a derrubada de árvores, a Amazônia registrou uma taxa maior do que a de anos anteriores. 

O estudo sugere que o mundo está indo na contramão das medidas que visam reduzir as emissões globais de carbono e frear as mudanças climáticas. Ainda de acordo com a Global Forest Watch, as derrubadas nas florestas tropicais contribuíram com o equivalente a 2,6 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.  

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“Todos os anos nós tocamos o alarme, mas ainda assim estamos perdendo florestas rapidamente. (…) O Brasil alcançou uma grande redução no desmatamento, mas agora estamos vendo o desfecho desse sucesso, e é de partir o coração”, disse Frances Seymour, membro sênior do World Resources Institute (WRI), responsável pelo lançamento da plataforma Global Forest Watch, ao jornal britânico The Guardian.

Apesar de os novos números serem alarmantes, eles não representam necessariamente um desmatamento permanente. É esperado que muitas das áreas desmatadas possam crescer novamente em um futuro bem próximo. No entanto, grande parte da destruição das florestas tropicais se dá para a obtenção de plantações de soja e para a pecuária. No Brasil, por exemplo, os novos dados detalham uma expansão fora do comum no sul da Amazônia.  

Outra região que causa preocupação nos cientistas é o Pantanal. Os constantes incêndios criminosos com fins agrícolas, somados à maior seca dos últimos 40 anos, podem fazer com que a situação na região fique fora de controle. Algumas das áreas podem levar até décadas para serem totalmente recuperadas. 

Alguns países mais ricos também não estão isentos do problema. A Alemanha, por exemplo, registrou um aumento na taxa de 2020, em comparação a 2018. A Austrália perdeu o equivalente a nove vezes em relação ao mesmo período, muito por causa dos incêndios florestais e desastres naturais.

O desmatamento, porém, está diminuindo em algumas partes do mundo. A Indonésia conseguiu diminuir suas taxas pelo quarto ano consecutivo e, em um feito inédito, saiu das três primeiras posições do WRI. Já a Malásia, que perdeu cerca de um terço de sua floresta desde os anos 1970, também obteve sucesso na redução do desmatamento através de leis mais duras a respeito da extração ilegal da madeira.  

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