Em meio a tensões envolvendo Ucrânia, Biden propõe cúpula a Putin

Em telefonema nesta terça-feira, 13, o presidente americano, Joe Biden, propôs ao presidente russo, Vladimir Putin, a realização de uma cúpula bilateral nos próximos meses para discutir, entre outros tópicos, o aumento da presença militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia.

A conversa acontece em meio a uma escalada retórica entre ambas as partes, com o governo russo definindo os Estados unidos como “adversários” e alertando Washington contra o envio de navios para perto da Crimeia, região do Mar Negro cedida por Moscou à Ucrânia durante a era soviética e anexada pela Rússia em 2014. Confrontos entre separatistas pró-Moscou e militares ucranianos aumentaram nas últimas semanas e, segundo Kiev, ao menos 14.000 pessoas morreram em sete anos.

Em sinal de preocupação, Biden sugeriu a realização de uma cúpula em um terceiro país, embora tenha destacado o compromisso dos EUA com a soberania e integridade territorial ucraniana.

“O presidente Biden também deixou claro que os Estados Unidos irão agir com firmeza em defesa de seus interesses nacionais em resposta às ações russas, como invasões cibernéticas e interferências eleitorais”, afirmou a Casa Branca em comunicado. “O presidente expressou nossas preocupações com o súbito aumento militar russo na Crimeia ocupada e nas fronteiras com a Ucrânia, e pediu à Rússia para desescalar tensões”.

Dois navios de guerra americanos devem chegar ao Mar Negro nesta semana em resposta ao que autoridades dos EUA e da Otan dizem ser o maior envio de forças russas, com milhares de soldados, desde a anexação. Além disso, um acordo de cessar-fogo foi assinado em julho, mas vem sendo violado de forma persistente, com acusações mútuas sobre quem disparou primeiro.

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Por sua vez, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, acusou a própria Otan de intensificar sua presença nas fronteiras com território russo. Segundo ele, “40.000 militares e 15.000 unidades de equipamentos militares “estão sendo deslocados para a região do Mar Negro e Mar Báltico. A Otan nega a afirmação.

Segundo nota oficial do Kremlin sobre a conversa, Putin afirmou a Biden que qualquer medida precisa acontecer de forma política, com base no acordado em negociações prévias, sem citar quaisquer questões militares. O documento também afirma que Biden disse a Putin que deseja normalizar relações e cooperar em controle de armas e mudança climática.

A fala sobre invasões cibernéticas é uma referência direta às investigações ordenadas por Biden logo após assumir o poder. Ele pediu análises sobre possíveis ações hostis da Rússia, como ciberataques, ingerência nas eleições americanas, envenenamento do líder da oposição russa Alexei Navalny e o pagamento de recompensas pelo assassinato de militares americanos no Afeganistão. De acordo com a imprensa americana, a investigação foi concluída, e a Casa Branca está atualmente considerando expulsar os diplomatas e impor sanções a funcionários do governo russo.

Em comentário às possíveis expulsões, o chanceler russo, Sergei Lavrov, alertou na semana passada que o Kremlin responderia a qualquer ação hostil americana, elevando ainda mais as tensões.

“Responderemos a quaisquer passos inamistosos. Isto cai por seu próprio peso”, disse Lavrov. “Esta situação tem se repetido muitas vezes, e estas ações nos convencem de apenas uma coisa: devemos confiar em nossas próprias forças, porque nem os Estados Unidos, nem seus aliados são parceiros confiáveis, e em áreas-chave para o funcionamento do Estado não podemos depender de seus estados de espírito e de qual pé eles estão”, enfatizou.

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