EUA oficializam saída de tratado militar com Rússia

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, anunciou nesta segunda-feira, 23, a saída oficial do país do tratado militar “Céus Abertos” com a Rússia e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

“Hoje, mediante devido aviso prévio, a saída dos Estados Unidos do tratado ‘Céus Abertos’ está efetivada. A Américaestá mais segura por conta disso, à medida que Rússia continua sem cumprir as suas obrigações”, disse Pompeo em sua conta no Twitter.

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O acordo, negociado em 1992 após o fim da Guerra Fria, permitia que as 35 nações participantes, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, conduzissem sobrevoos de reconhecimento dentro do território dos outros países que ratificaram o acordo. Cada governo tem uma cota de quantos voos pode permitir em seu território e quantos pode conduzir em solo estrangeiro.

No entanto, Washington acusa a Rússia de violar o texto ao não permitir sobrevoos em determinadas áreas, como em Kaliningrado e na fronteira com a Geórgia – duas regiões sensíveis à Moscou, uma vez que Kaliningrado fica perto do Mar Báltico e onde há uma intensa presença militar russa, incluindo submarinos nucleares. A fronteira com a Geórgia, por sua vez, fora palco do conflito em 2008.

A saída americana em si pode não ter incomodado Moscou, uma vez que o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, se mostrou mais interessado em manter a vigilância na Europa. No início de novembro, Lavrov demandou que os membros da OTAN se mantivessem no acordo e que não compartilhassem nenhum dado obtido com os Estados Unidos.

O governo do republicano Donald Trump, que se encerra em janeiro de 2021, foi marcado por ataques ao multilateralismo. Sua política externa encerrou a participação dos Estados Unidos no Acordo de Paris, que busca o combate à mudança climática, no Acordo Nuclear com o Irã, que levou ao aumento de tensões entre os dois países, e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), que proibia a construção e desenvolvimento de armas nucleares de médio alcance.

Com a chegada do presidente eleito Joe Biden à Casa Branca, é certo que os Estados Unidos irão voltar ao acordo climático, mas é uma incógnita como o país lidará com a Rússia.

Putin, por sua vez, ao ser perguntado no domingo se a demora de Moscou a reconhecer a vitória de Biden iria piorar as relações entre a Casa Branca e o Kremlin, disse “não há nada para arruinar. Elas já estão arruinadas”.

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