Fotos mostram instalação na fronteira dos EUA lotada de crianças migrantes

A política de imigração do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, continuou a atrair críticas na segunda-feira, 22, depois da divulgação de uma série de fotos de um centro de detenção lotado que abrigava crianças migrantes.

O deputado Henry Cuellar, um democrata do Texas cujo distrito fica na fronteira americana com o México, publicou as imagens. As fotos mostram crianças migrantes, que cruzaram a fronteira para os EUA sozinhas sem um dos pais ou responsável, sendo mantidas em quartos lotados com colchões no chão e cercados com plástico transparente. As fotos também mostraram que cada quarto possuía uma pequena televisão.

Uma foto fornecida pelo gabinete do congressista Henry Cuellar mostra detidos em uma instalação temporária na fronteira em Donna, Texas, Estados Unidos.Henry Cuellar/Divulgação

Ao portal Axios, Cuellar afirmou que as crianças estavam sendo mantidas em “condições terríveis” em uma instalação improvisada em Donna, Texas, feita de tendas. Ele disse que a instalação consiste em “câmaras” que podem acomodar até 260 pessoas. Um espaço em particular, segundo o democrata, abrigava 400 meninos. 

“Temos que impedir que crianças e famílias façam a perigosa jornada pelo México para chegar aos Estados Unidos”, disse Cuellar ao Axios. “Temos que trabalhar com o México e os países da América Central para que eles solicitem asilo em seus países”.

Migrantes lotam uma sala com paredes de lonas de plástico no centro de processamento temporário de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA em Donna, Texas.Henry Cuellar/Divulgação

A Casa Branca tentou dissipar as críticas na segunda-feira.

“Essas fotos mostram o que falamos há muito tempo, que essas instalações de patrulha de fronteira não são lugares feitos para crianças”, disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, durante uma entrevista coletiva. “Eles não são lugares onde queremos que as crianças fiquem por um longo período de tempo”. 

“Nosso foco agora está em soluções”, acrescentou. 

Menores desacompanhados se reuniram em uma sala lotada com paredes de lonas de plástico no centro de processamento temporário da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA em Donna, Texas.Henry Cuellar/Divulgação

Quando Biden assumiu o cargo há dois meses, ele prometeu acabar com a postura linha-dura de seu antecessor em relação à imigração. Ele criticou a política de tolerância zero do ex-presidente Donald Trump, que separava famílias de migrantes, e criticou  procedimentos que incluíam manter crianças em “gaiolas”. 

O novo governo parou de forçar os solicitantes de asilo a esperar pela data do julgamento no México e interrompeu a construção de um muro de fronteira ao longo da fronteira sul do país.

Agora, no entanto, o democrata enfrenta críticas crescentes sobre o modo como está lidando com uma onda de migrantes com destino aos Estados Unidos.

Segundo dados do governo americano, mais de 100.000 pessoas tentaram cruzar a fronteira em fevereiro. O número inclui quase 9.500 crianças desacompanhadas, um aumento de 62% em relação a janeiro e o mais alto desde maio de 2019. De acordo com dados coletados pelo Pew Research Center, 18.945 migrantes foram detidos na fronteira em janeiro e fevereiro. 

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Os líderes republicanos dizem que, por uma postura “mais aberta”, Biden é o culpado pela nova onda de migrantes que está aparecendo na fronteira EUA-México, criando uma situação de crise que ameaça a segurança americana.

O governo, por sua vez, argumenta que os EUA ainda estão expulsando os requerentes de asilo de volta ao México sob o Título 42  — uma cláusula da era Trump que citava a pandemia do coronavírus como uma razão para permitir a deportação rápida de migrantes. Eles também negam que haja uma crise se formando.

“As crianças que se apresentam na nossa fronteira, que fogem da violência, que fogem da acusação, que fogem de situações terríveis não é uma crise”, disse Psaki na segunda-feira. “Sentimos que é nossa responsabilidade abordar essa situação com humanidade e garantir que eles sejam tratados e colocados em condições seguras”. 

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que o governo Biden colocou em prática campanhas de comunicação que anunciavam que a fronteira dos EUA está fechada para migrantes e acrescentou que o governo está empenhado em financiar programas de desenvolvimento que visem as raízes da imigração.Henry Cuellar/Divulgação

As autoridades do governo Biden também continuaram a pedir aos migrantes que não se encaminhassem para a fronteira, dizendo que os Estados Unidos logo estabelecerão um sistema que permitirá que os requerentes de asilo especialmente da América Central façam suas reivindicações de seus países de origem.

O governo também enfrenta questionamentos sobre sua recusa em permitir que observadores externos ou a mídia entrem nas instalações onde estão as milhares de crianças imigrantes.

“Certamente queremos ter certeza de que a mídia tenha acesso a esses locais”, disse Psaki. “Estamos trabalhando com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos e também com o Departamento de Segurança Interna para garantir a privacidade e garantir que estamos seguindo os protocolos da Covid-19, afirmou a porta-voz.

Ela acrescentou que o governo colocou em prática campanhas de comunicação que anunciaram que a fronteira dos EUA está fechada para migrantes e acrescentou que o governo está empenhado em financiar programas de desenvolvimento que visem as raízes da imigração.

Também nesta segunda-feira, o governo dos EUA anunciou a difusão de anúncios em várias línguas, incluindo o português, em El Salvador, Guatemala e Honduras, para enviar a mensagem de que “a fronteira está fechada” e imigrantes sem documentos não tentem tentar cruzá-la.

Ao todo, foram colocados 17.118 anúncios de rádio em El Salvador, Guatemala e Honduras a partir de 21 de janeiro, em espanhol, português e seis línguas indígenas para desencorajar a imigração. A mesma mensagem tem sido enviada “aos usuários do Facebook e Instagram que se enquadram no perfil dos possíveis migrantes”, acrescentou Psaki.

Além disso, uma delegação de alto escalão dos EUA viajou ao México para discutir com o governo mexicano o crescente fenômeno migratório e a cooperação para o desenvolvimento, antes de viajar para a Guatemala com o objetivo de discutir a questão com o presidente Alejandro Giammattei.

O objetivo da viagem é “desenvolver um plano de ação eficaz e humano para controlar a migração irregular”, principalmente do Triângulo Norte da América Central, afirmou em um comunicado a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Emily Horne.

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