Índia diz a compradores estrangeiros que prioridade é vacinação local

Maior produtora de vacinas do mundo, a Índia afirmou a compradores que irá priorizar a aplicação de vacinas contra o coronavírus dentro do país, à medida que luta contra uma segunda onda crescente de casos. A decisão significa que os países mais pobres, que confiaram na iniciativa COVAX apoiada pelas Nações Unidas, provavelmente verão milhões de doses adiadas.

“Nas próximas semanas e meses haverá um pico de demanda e as pessoas estão se preparando para isso”, disse o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, na sexta-feira, 26, no Enclave Econômico da Índia, fórum promovido pela Times Network.

Segundo o ministro, parceiros internacionais já foram informados que as taxas de Covid-19 estão subindo em território indiano e que “temos que focar em nosso próprio país”.

Os comentários de Jaishankar vieram um dia depois que a Gavi, a Aliança das Vacinas, disse em um comunicado que o Serum Institute of India (SII), maior fabricante mundial de vacinas, iria atrasar as entregas da vacina AstraZeneca para responder à demandas domésticas.

A vacina AstraZeneca produzida pelo SII é fundamental para os países em desenvolvimento, pois representa o núcleo das vacinas destinadas à COVAX uma plataforma internacional projetada para entregar dois bilhões de vacinas aos países mais pobres sem nenhum custo. A COVAX esperava de fábricas indianas 40 milhões de doses em março e mais 50 milhões de doses em abril.

É o segundo revés para o consórcio nesta semana, já que problemas de produção em um fornecedor sul-coreano significaram que os volumes de entrega tiveram que ser reduzidos.

Continua após a publicidade

Em nota, a Aliança Gavi afirmou que a instalação de compartilhamento de vacinas COVAX notificou todas as economias afetadas sobre possíveis atrasos nas exportações. 

A notícia gerou preocupações entre economias que podem ser afetadas. O diretor dos Centros Africanos para o Controle de Doenças, um órgão de combate a doenças de todo o continente, afirmou na quinta-feira: “Sem acesso rápido às vacinas, continuaremos enfrentando desafios, vidas serão perdidas e nossa economia continuará sofrendo”.

Nesta sexta-feira, a Índia registrou 59.118 novas infecções, elevando o total de casos para 11,85 milhões, o terceiro maior índice do mundo, depois de Estados Unidos e Brasil. 

Todos com mais de 45 anos na Índia são elegíveis para vacinação a partir de 1º de abril e o governo está considerando incluir mais pessoas depois que as novas infecções quase quadruplicaram neste mês.

“O governo já está planejando ampliar o guarda-chuva dos beneficiários da vacina Covid-19 em um futuro próximo para cobrir outras parcelas de nossa população”, disse o ministro da Saúde, Harsh Vardhan, em uma cúpula virtual organizada pelo jornal Economic Times.

A Índia já administrou 55 milhões de doses de vacina. No entanto, o número é proporcionalmente baixo em relação a sua população de 1,35 bilhão, segundo o portal Our World in Data.d

Continua após a publicidade

Ultimas notícias

Irã classifica apagão em usina nuclear de Natanz como “ato terrorista”

A usina atômica de Natanz, no Irã, sofreu um blecaute na manhã deste domingo. As autoridades iranianas classificaram o incidente como um ato de...

Grupos religiosos protestam contra decisão do STF sobre cultos e missas

Grupos religiosos fizeram neste domingo um protesto em frente ao Congresso Nacional contra a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a...

Igreja Católica da Austrália paga indenização milionária a vítima de abuso

Um homem de 58 anos cuja identidade não foi revelada vai receber uma indenização de 1,5 milhão de dólares australianos (cerca de 6,5 milhões...

O que Bolsonaro é, segundo Marta Suplicy

O que disse Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, sobre o presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao programa  Manhattan Connection, na TV Cultura. https://youtube.com/watch?v=iq_HayFJl30&feature=oembed Mais lidasBrasilBrasilA...

Pandemia não anula a Constituição

Editorial de O Estado de S. Paulo (11/4/2021) Nenhuma circunstância excepcional, nem mesmo a maior crise de saúde em um século, justifica que se ignore...