Macron usa Brasil como exemplo positivo de população disposta a se vacinar

Em vídeos publicados em suas redes sociais na terça-feira, 3, o presidente francês, Emmanuel Macron, comparou a situação da França e do Brasil no combate à Covid-19, como parte de uma campanha de comunicação que mira a vacinação de jovens.

Segundo o chefe de Estado, a França tem uma política e uma economia fortes para garantir acesso a vacina todos os seus cidadãos. No Brasil, por outro lado “as pessoas se manifestam para ter acesso às ajudas e às vacinas”, insistindo que as vacinas são “a única arma” capaz de conter novas ondas de infecções.

A fala a respeito do Brasil é uma resposta à crescente fatia de pessoas que não querem se vacinar e se dizem afetadas pelo passe sanitário, que entrou em vigor recentemente no país. Desde o último dia 21, quem quiser visitar espaços culturais ou de lazer para mais de 50 pessoas no país precisa apresentar um documento que consiste em uma prova de vacinação ou um teste negativo para o coronavírus.

A medida é a primeira parte de uma nova campanha contra o que o governo define como aumento “estratosférico” nos casos ligados à variante Delta, mais transmissível e identificada pela primeira vez na Índia. As restrições foram anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron em 12 de julho, representando algumas das mais duras em vigor na Europa.

Manifestação contra passe sanitário em Toulouse, França. 31/07/2021Alain Pitton/Getty Images

“Se nós não tivéssemos o passaporte sanitário hoje, seríamos obrigados a fechar tudo outra vez, ou seja, colocar restrições para todo mundo. Com o passe sanitário, as restrições são unicamente para aqueles que ainda não estão vacinados, a quem pedimos que façam testes para proteger os outros”, disse. 

Nesta quarta-feira, em uma entrevista ao semanário Partis Match, Macron criticou diretamente quem afirma que o país está “sob uma ditadura” por conta das restrições e disse que “não cederá à violência radical” de críticos que protagonizaram manifestações nas últimas semanas.

“Todas as medidas restritivas foram votadas por leis. Somos o único país que teve tantos controles parlamentares durante a crise”, disse. “E fala-se em ditadura? Sejamos sérios”.

Segundo dados do Ministério do Interior francês, mais de 204.000 pessoas se manifestaram no país no último sábado, em comparação às 161.000 na semana anterior, e às 110.000 em 17 de julho.

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