Nova York planeja taxar super ricos para bancar recuperação pós-pandemia

A Assembleia Legislativa do Estado de Nova York e o governador Andrew Cuomo decidiram nesta segunda-feira, 5, que o melhor caminho para uma recuperação pós-pandemia de coronavírus é taxar os cidadãos que ganham mais de 1 milhão de dólares.

Para isso, estão firmando um acordo orçamentário para aumentar os impostos dos super ricos nova-iorquinos, que passarão a pagar as maiores taxas do país. Se promulgado, o acordo vai gerar 4,3 bilhões de dólares extras por ano, podendo também legalizar apostas para arrecadar 500 milhões de dólares a mais em receitas fiscais com um novo cassino.

Para isso, duas novas faixas de imposto de renda pessoal seriam criadas temporariamente: 10,3% para receitas entre 5 milhões e 25 milhões de dólares, e 10,9% para receitas acima de 25 milhões de dólares, segundo o jornal The New York Times, com data de validade marcada para 2027.

Já para os indivíduos que ganham mais de 1 milhão de dólares e declarações conjuntas de mais de 2 milhões de dólares a taxa de imposto de renda pessoal aumentaria de 8,82% para 9,65%.

Governador na berlinda

Cuomo, um centrista fiscal, sempre resistiu à estratégia, argumentando que elevar os impostos dos ricos afastaria os negócios para outro estados. Atualmente, os 2% mais ricos pagam cerca de metade dos impostos de renda de Nova York.

O impacto da pandemia – sempre ela – mudou o cenário, já que provocou quedas sem precedentes na receita do estado.

Fora isso, a ala progressista do Legislativo está crescendo diretamente proporcional à queda de influência do governador, desgastado por denúncias de assédio sexual de ao menos seis vítimas diferentes e uma investigação acerca de seu tratamento das mortes relacionadas à Covid-19 nos asilos do estado.

Leia também: Na corda bamba, governador de NY enfrenta denúncias de assédio sexual

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Os democratas, que controlam o Legislativo, também têm supermaiorias à prova de veto em ambas as casas, aumentando sua influência. O acordo ainda pode sofrer reveses, mas o Times avalia que a ala do partido que defende a medida está no caminho certo.

Gastos pós-pandemia

As negociações orçamentárias de 2021, como as do ano passado, foram ofuscadas pela pandemia. Muitos legisladores ainda estão operando em regime de trabalho remoto e a maioria dos acordos está sendo formulada por meio de videoconferências, o que dificultou negociações.

Mesmo assim, parecia haver um consenso para aumentar amplamente os gastos com educação e implementar um programa de subsídios de recuperação para pequenas empresas que sofreram perdas durante a pandemia. Grande parte do aumento dos gastos seria pago pelo incremento dos impostos sobre os super ricos.

Durante meses, uma coalizão estadual de ativistas demandou uma série de novos impostos sobre milionários para ajudar a apoiar os nova-iorquinos necessitados, especialmente na pandemia. Mas a urgência de aumentar taxas diminuiu depois que o Congresso aprovou um pacote de estímulo que deu ao estado 12,6 bilhões de dólares em ajuda direta, para cobrir a maior parte do déficit de 15 bilhões de dólares no orçamento nos próximos dois anos.

Ainda está sendo discutido um “fundo de trabalhadores excluídos” de 2,1 bilhões de dólares para os nova-iorquinos que não se qualificaram para receber os cheques do Governo Federal e benefícios de desemprego. O fundo forneceria pagamentos retroativos em dinheiro, principalmente trabalhadores sem documentos e pessoas recentemente libertadas de prisões.

E no resto do país?

Em Washington, D.C., o presidente Joe Biden propôs um aumento nos impostos corporativos pelos próximos 15 anos para ajudar a pagar por seu pacote de infraestrutura que será implementado nos próximos oito anos, no valor de 2 trilhões de dólares.

Enquanto isso, o governador de Minnesota propôs uma nova taxa máxima de imposto de renda, o estado de Washington aprovou um novo imposto de 7% sobre ganhos de capital de mais de 250.000 dólares e legisladores da Califórnia estão considerando um imposto sobre fortunas.

A progressista Califórnia é hoje dona da maior taxa de imposto de renda do país, a 13,3%. Nova York pretende desbancar o título, já que os maiores rendimentos da cidade podem chegar a pagar até 14,8% em impostos estaduais e municipais.

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