Rumo à economia de baixo carbono

A partir da Revolução Industrial, o homem passou a emitir quantidades significativas de gases de efeito estufa (GEE), em especial o dióxido de carbono (CO²). Essas emissões são a principal causa das mudanças climáticas, um dos assuntos mais importantes do planeta nos últimos anos.

O problema precisa ser resolvido com urgência e a solução está nas mãos da sociedade como um todo, em ações efetivas no âmbito governamental e também nas empresas, que têm papel fundamental no combate ao aquecimento global.

A migração das companhias para a economia de baixo carbono, por exemplo, é um dos passos essenciais para que o mundo consiga cumprir as metas previstas no Acordo de Paris, cujo objetivo é limitar o aumento da temperatura global a 2 °C, com tentativa de contê-lo em 1,5 °C, quando comparado aos níveis pré-industriais.

Felizmente, essa já é uma tendência mundial. É possível observar um movimento crescente de grandes empresas na busca pela redução das emissões de GEE, ampliação da produção e consumo de energia limpa, uso racional de recursos naturais e inovações constantes em busca das melhores e mais criativas alternativas verdes, que, sem dúvida, garantem a competitividade e viabilidade dos negócios a longo prazo.

Um bom exemplo disso é a JBS, segunda maior indústria de alimentos do mundo, que se comprometeu, no último dia 23 de março, a se tornar Net Zero. Ou seja, deve zerar o balanço de suas emissões de gases causadores do efeito estufa, reduzindo a intensidade de emissões diretas e indiretas e compensando toda a emissão residual.

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Ao assinar o documento “Ambição Empresarial pelo 1,5 °C”, do Pacto Global da ONU, a companhia tem a responsabilidade de cumprir essas metas até 2050. Mas garante mais: quer chegar ao objetivo dez anos antes, em 2040. Trata-se da primeira grande empresa global do setor de proteína a estabelecer uma meta como essa.

Desenvolvimento sustentável

A missão Net Zero da JBS inclui suas operações globais e também sua diversificada cadeia de valor, que engloba produtores agrícolas e demais fornecedores, além, é claro, dos clientes. Para a empresa, ser Net Zero não é um compromisso enxergado como custo, e sim como investimento. “As mudanças climáticas são o grande desafio do nosso tempo e devemos agir com urgência para combater seus efeitos negativos”, afirma o CEO global, Gilberto Tomazoni. “Vamos usar nossa escala e influência para ajudar a liderar uma transformação sustentável do mercado. A agropecuária pode e deve ser parte da solução climática global. Acreditamos que, por meio de inovação, investimento e colaboração, o Net Zero está ao nosso alcance.”

Com o compromisso de redução das emissões, a JBS reforça sua responsabilidade com a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), uma caminhada iniciada há mais de uma década, com investimentos globais de cerca de 2 bilhões de reais por ano em sustentabilidade.

Alguns exemplos dessa iniciativa são o sistema de monitoramento socioambiental de 100% dos fornecedores de matéria-prima da companhia no bioma Amazônia, que está sendo expandido via tecnologia blockchain para os fornecedores de seus fornecedores, para garantir que todos cumpram sua política de tolerância zero com o desmatamento ilegal.

Vale ressaltar que, na América do Norte, a JBS já reduziu em cerca de 20% suas emissões desde 2015. No Reino Unido e na Irlanda do Norte, a Moy Park diminuiu a intensidade de suas emissões em mais de 77% desde 2010, e a Pilgrim’s UK já tinha se comprometido a ser Net Zero até 2040.

O próximo passo será apresentar um plano com base científica para chegar à meta, consistente com os critérios estabelecidos pela Science Based Targets initiative (SBTi). A empresa fornecerá, ainda, atualizações anuais sobre seu progresso para garantir a transparência, além de passar a divulgar seus riscos financeiros ligados à mudança do clima, em linha com a iniciativa Task Force on Climate-related Financial Disclosure (TCFD).

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