Três em cada 4 europeus são contra acordo UE-Mercosul por desmatamento

Em torno de 75% dos europeus querem que o acordo comercial UE-Mercosul seja interrompido se ele contribuir para o desmatamento da Amazônia ou outros danos ambientais, de acordo com uma pesquisa desenvolvida pelo instituto YouGov, a pedido da organização social SumOfUs. As negociações para o pacto estão travadas desde que o Brasil se tornou alvo constante de críticas internacionais por sua gestão ambiental.

A pesquisa foi realizada na França, Alemanha, Holanda e Espanha entre 1 e 4 de setembro com 5.329 adultos. Entre os franceses entrevistados, 78% vêem a necessidade de parar o acordo comercial com base no risco de aumento do desmatamento na Amazônia e a perda de vida selvagem. O mesmo percentual é observado entre os espanhóis (78%), enquanto 74% alemães e 71% dos holandeses têm a mesma posição.

Os números para pessoas com mais de 55 anos de idade são particularmente reveladores, com 79% dos entrevistados dentro dessa faixa etária nos quatro países sendo a favor da suspensão do acordo. Em média, 70% do público dos países pesquisados também quer que a UE só concorde com acordos comerciais que estejam de acordo com seus compromissos de enfrentar a mudança climática. O percentual é mais alto na Espanha (82%), seguida de França, Holanda e Alemanha (79%, 75% e 72%, respectivamente).

O acordo da UE com o Mercosul deverá ser apresentado ao Conselho Europeu para discussão ainda este ano. Recentemente, a Alemanha se juntou aos Estados-Membros da UE que já expressaram dúvidas sobre a implementação do acordo comercial com o Mercosul. No mês passado, a chanceler Angela Merkel colocou o pacto em xeque. “Temos sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme planejado, quando vemos a situação”, afirmou seu porta-voz, referindo-se à Amazônia.

A ministra alemã da Agricultura Julia Klöckner acrescentou que o “acordo comercial não será ratificado a curto prazo” e que a grande maioria dos ministros da agricultura da UE é “muito, muito céptica” em relação ao tratado. Um artigo realizado por 22 pesquisadores europeus e publicado nesta semana também critica o pacto e aponta incompatibilidade entre o acordo e os princípios ambientais europeus.

Leia nesta edição: Queda na curva de mortes mostra sinais de alívio na pandemia. E mais: por que o futuro político de Lula está nas mãos de BolsonaroVEJA/VEJA

Presidente do Conselho Amazônia Legal, o vice-presidente Hamilton Mourão é quem vem costurando as tratativas para a consolidação do acordo de livre comércio com o bloco europeu, se encontrando com membros de instituições financeiras e empresas privadas para mostrar o compromisso com a pauta ambiental.

Porém, conforme mostrou reportagem de VEJA, membros dos governos europeus confirmam a disposição da União Europeia para ratificar o tratado. “Nossa posição permanece intacta. Nós fomos capazes de estabelecer esse acordo depois de quase 30 anos de negociação, e estamos muito dispostos em consolidá-lo”, disse o embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms.

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