A Bolsonaro falta vontade de combater o vírus

Ao presidente Jair Bolsonaro falta vontade para combater a pandemia da Covid. Para ele, melhor que morram os que tiverem de morrer desde que a economia se salve, do contrário seu governo irá por terra e, com ele, qualquer chance de reeleição.

Aos governadores e prefeitos falta coragem para enfrentar eleitores cansados do vai e vem das medidas de isolamento, e empresários que põem o patrimônio acima de tudo e que de dois em dois anos são convocados a pagar despesas de campanha.

A posição de Bolsonaro é mais transparente. Ele diz o que lhe vem à cabeça e o que de fato pensa. Não receia ferir os que choram a morte de parentes e amigos ao provocá-los sem dó: “Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”.

Governadores e prefeitos dissimulam. Chamam de lockdown o que não passa de toque de recolher. Falam em guerra ao anunciarem a reabertura de hospitais de campanha. E em fiscalização rigorosa o que, se tanto, será uma fiscalização branda e por amostragem.

Na cidade do Rio de Janeiro está proibido permanecer nas ruas entre 23h e 5h. Mas circular por elas é permitido. Quer dizer: multidões podem permanecer nas ruas desde que estejam em constante movimento, paradas não. É sério?

As praias continuam liberadas como se o vírus tivesse horror à areia e ao banho de mar. Trens, ônibus e metrô seguem lotados como de costume, meios de contaminação ideal para elevar o número de mortos que deverá chegar a 3 mil por dia em breve.

Com taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para Covid-19 em 88% e 100 pacientes ainda na fila por uma vaga nos hospitais públicos, Manaus viveu um colapso sanitário em janeiro último que resultou em dezenas de mortes por falta de oxigênio.

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Pois bem: o governador Wilson Lima (PSC), bolsonarista de quatro costados, afirmou ontem que ampliará o horário de funcionamento de lojas em geral, shoppings centers e restaurantes. David Almeida (Avante), prefeito de Manaus, entrou em pânico. E advertiu:

– Esperem o pior, esperem o que vocês nunca viram.

Segundo Almeida, “uma pessoa que ficava dez dias internada agora fica 30. A variante tem muito mais contágio, é muito mais forte. As pessoas ficam mais tempo em UTI, o que represa toda a demanda. É por isso que corredores, macas e ambulâncias estão lotados”.

E assim caminha a humanidade por estas bandas na direção dos dias mais trágicos da pandemia. De Genebra, na Suíça, Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, mandou dizer a quem interessar possa:

– Se o Brasil não for sério, vai continuar a afetar toda a sua vizinhança e além.

Atribui-se ao general Charles de Gaulle, à época presidente da França, a frase: “O Brasil não é um país sério”. Quem disse isso foi Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil em Paris, a propósito do que aqui ganhou o nome de “A Guerra da Lagosta”.

Em 1962, no litoral de Pernambuco, barcos franceses pescavam lagostas em águas territoriais brasileiras. Armou-se tal fuzuê que a certa altura havia quem defendesse o rompimento das relações entre os dois países e, no extremo, a guerra.

Não se disparou um único tiro. A diplomacia resolveu o problema. Dois anos depois, De Gaulle visitou o Brasil e foi ovacionado na Avenida Rio Branco, centro do Rio. De Gaulle tinha 1,96m de altura. O presidente Castelo Branco, que o recepcionou, 1,64m.

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