A estratégia de Bolsonaro para melhorar seus números nas pesquisas 

A queda constante na popularidade e os números que indicam que Lula pode vencê-lo nas próximas eleições fizeram o presidente Jair Bolsonaro investir em uma reformulação do Bolsa Família de olho no eleitorado de classe baixa.

Nesta segunda, 9, Bolsonaro entregou ao presidente da Câmara, Arthur Lira, a medida que cria o Auxílio Brasil no lugar do Bolsa Família. O valor do benefício ainda não foi definido, mas o presidente já defendeu que o novo auxílio seja, pelo menos, 50% maior do que o anterior.

Mesmo sofrendo resistências da equipe econômica, o presidente quer aumentar consideravelmente o valor do benefício de olho nos eleitores que pode conquistar para as eleições do ano que vem.

Ao lutar pelo programa, Bolsonaro contradiz seu discurso do passado. Quando ainda era deputado, ele criticou duramente o Bolsa Família, criado durante o governo Lula. Em 2010, por exemplo, Bolsonaro insinuou que o Bolsa Família funcionava como compra de votos.

“O governo federal dá para 12 milhões de famílias em torno de R$ 500 por mês, a título de Bolsa Família definitivo, e sai na frente com 30 milhões de votos. Realmente, disputar eleições num cenário desses é desanimador. É compra de votos mesmo”, disse na tribuna da Câmara.

Na corrida presencial, em 2018, mudou o posicionamento e garantiu que seu governo não acabaria com o programa social. Ali, o presidente já havia visto as vantagens eleitorais do Bolsa Família.

A inflação, que se aproxima de 9% no acumulado de 12 meses, é um fator de erosão do apoio entre os mais pobres e a classe media. 

Enquanto isso, no mundo da Faria Lima, o mercado financeiro, medidas populistas que expandam o gasto sem uma fonte segura de recursos elevam a desconfiança em relação ao governo.

Bolsonaro alterou o nome do programa e quer dar um valor ainda maior. O objetivo é um só: dizer que ele mesmo criou o benefício e conquistar o voto de quem já pensa em outras possibilidades para 2022.

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