A festa de Bolsonaro deve ser mais curta do que a do PT

Quando Bolsonaro criticou o aumento no preço do diesel, pensou-se que era jogo de cena para fazer média com os caminhoneiros, um de seus principais grupos de apoio.

Mas não era, era pra valer. E Bolsonaro já anunciou que vai “meter o dedo” no setor elétrico também. Afinal, como lhe ensinou sua mentora, Dilma Rousseff, “podemos fazer o diabo” na campanha eleitoral. E a campanha já começou.

Dá pra enxergar três objetivos:

1) Satisfazer o centrão, cuja goela não tem tamanho, e quer tudo isso e o céu também, a começar pela “diretoria que fura poço”.

2) Conseguir popularidade por meio da demagogia: combustível, transporte e energia elétrica baratos.

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3) Conseguir recursos para a campanha eleitoral. Segundo dizem algumas fontes, o verdadeiro motivo da demissão de Roberto Castello Branco da Petrobras não é o preço do diesel, mas Castello ter recusado um pedido para destinar R$ 100 milhões para a TV Record e o SBT (que pertence a Silvio Santos, sogro de Fabio Faria, ministro das Comunicações e representante do centrão no governo).

Nós já vimos esse filme. O PT botou o centrão para rapinar a Petrobras, conseguiu recursos para se manter no poder indefinidamente, segurou o preço do petróleo e Dilma baixou as tarifas elétricas na marra, desorganizando o setor elétrico. Deu certo durante um bom tempo, e Dilma até conseguiu se reeleger.

Mas o PT acabou na cadeia e Dilma sofreu um impeachment.

Há três grandes diferenças entre o período do PT e o de agora. Quando a festa do PT começou, a economia ia muito bem, e agora vai muito muito mal; a popularidade de Lula era alta, e a de Bolsonaro é baixa; a gente já sabe como se organiza a festa.

O que significa que a festa de Bolsonaro tende a ser mais curta do que a do PT.

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