A primeira grande trombada entre Bolsonaro e Arthur Lira

Não demorou muito: já aconteceu a primeira trombada entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que chegou ao comando da Casa há pouco mais de um mês (no dia 2 de fevereiro) apoiado pelo bolsonarismo e, por isso, é considerado um grande aliado nas causas do governo.

Lira empenhou apoio público ao nome da médica cardiologista Ludhmila Hajjar para substituir o desgastado Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde. “Coloquei os atributos necessários para o bom desempenho à frente da pandemia: capacidade técnica e de diálogo político com os inúmeros entes federativos e instâncias técnicas. São exatamente as qualidades que enxergo na doutora Ludhmila”, postou no Twitter na noite de domingo, 14.

E acrescentou: “Espero e torço para que, caso nomeada ministra da Saúde, consiga desempenhar bem as novas funções. Pelo bem do país e do povo brasileiro, nesta hora de enorme apreensão e gravidade. Como ministra, se confirmada, estarei à inteira disposição”.

Continua após a publicidade

Mas não aconteceu. Bolsonaro preferiu ouvir os gritos da sua base mais radicalizada que, desde que o nome da médica passou a ser ventilado, encheu as redes sociais de críticas à indicação, acompanhadas de fotos dela ao lado de desafetos do bolsonarismo, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (MDB-RJ) e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – além de uma live da qual ela participou ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff.

E pesou também – para os bolsonaristas e para o próprio Bolsonaro – o fato de ela não comungar com a defesa do uso da hidroxicloroquina (e do chamado “tratamento precoce” em geral) nem com as críticas ao distanciamento social.

Nesta segunda-feira, 15, a médica disse que declinou do convite. Em entrevista à CNN Brasil, ela disse que rejeitou assumir o ministério por questões técnicas. “Eu sou uma pessoa que pautou minha vida nos estudos e na ciência”, afirmou.

Pacto nacional

Na semana passada, a insistência de Bolsonaro em atacar a adoção do isolamento social nos estados já havia prejudicado o esforço de Lira para se colocar como mediador entre o presidente e os governadores na questão do combate à pandemia. Tanto Lira quanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem sido fundamentais no esforço para construir algum tipo de pacto pela vacinação entre os estados e a União. Para muitos chefes de Executivo estaduais, de nada vale trocar o ministro da Saúde se o presidente continuar com a mesma mentalidade de sabotar os esforços que estão sendo adotados para deter o coronavírus.

 

Lira, certamente, não deve ter gostado do desfecho da sua indicação da médica Ludhmila Hajjar, mas pode já estar pensando em outra maneira de fazer o presidente colocar um indicado seu no comando da pasta: um dos nomes que vêm sendo aventados pelo Centrão, bloco que o presidente da Câmara lidera, é o do deputado Luiz Antônio Teixeira Jr (PP-RJ), conhecido como Dr. Luizinho. O bloco parlamentar, conhecido por sua propensão à fisiologia, sonha, claro, com o controle de um orçamento anual de quase 200 bilhões de reais.

Continua após a publicidade

Ultimas notícias

Chefe da Secom, Flávio Rocha comunica a ministros que deixará o cargo

Responsável pela Secom, o almirante Flávio Rocha, depois de seguidos problemas na Presidência, bateu o martelo. Vai deixar o órgão que herdou de Fabio...

Ameaçar é crime

Editorial de O Estado de S. Paulo (14/4/2021) O presidente Jair Bolsonaro gosta de falar de liberdade. Em seus discursos, coloca-se como uma espécie de...

Randolfe Rodrigues: ‘A CPI não vai investigar pessoas, mas os fatos’

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi o requerente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, que irá investigar o combate à pandemia do...

PF produziu perícia para ajudar Moro e procuradores (por Márcio Chaer)

Um sargento morreu por causa da explosão de uma bomba dentro do automóvel em que estava e que arrebentou também grande parte da barriga...

Livro não é luxo

Por Vitor Tavares, Diego Drumond, Hubert Alquéres e Luciano Monteiro: Jorge Amado, um dos maiores escritores da literatura brasileira, estaria atônito com a intenção do...