A quem serve o voto impresso (Por Vanda Célia)

Para obter essa resposta basta saber a finalidade de qualquer comprovante. Prova cabal de que um débito foi quitado. O extrato permite o controle direto de quem votou em quem. Viabiliza o retorno do ultrapassado e antidemocrático voto de cabresto.

Encontrar os interessados é simples: observe quem defende o voto impresso antes de qualquer suspeita ou acusação. Defender um documento que retira a condição constitucional de secreto do voto não é prioridade de ninguém – apontam as principais pesquisas de opinião.

Por que então insistem nessa mudança os advogados do presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados mais fortes em estados como Rio de Janeiro? Qual seria o resultado prático dessa alteração em periferias de grandes capitais, tomadas pelo crime organizado, milícias e pastores evangélicos?

No Congresso, a principal escudeira de Bolsonaro nesta luta não é qualquer um. A PEC 135 – apresentada em 13 de setembro de 2019 -, que propõe o voto impresso, é da autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJC).

O texto acrescenta “o § 12 ao art. 14, da Constituição Federal, dispondo que, na votação e apuração de eleições, plebiscitos e referendos, seja obrigatória a expedição de cédulas físicas, conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas em urnas indevassáveis, para fins de auditoria”.

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“Conferíveis pelo eleitor” só tapeia os mais ingênuos e beira o insulto ao cidadão. Estamos assim tão ávidos a sustentar um novo coronelismo? A descartar de vez a rotatividade no comando do país? Por acaso, já estamos gritando nas ruas: Que venha o Narcoestado!?

Sim, um mais um é igual ao fato de que essa proposta tem a capacidade de fortalecer, impulsionar e consolidar o crime organizado e os representantes milicianos no governo.

Que tal já não aprovarmos logo o fim do controle do Exército sobre consumo e circulação de munições, a desvinculação das Policias Militares do controle e do comando político dos governadores, abolirmos o estado laico e todo o pacote que virá no excelente Congresso que será eleito por recibo?

Ao menos seremos menos cínicos na forma.

 

Vanda Célia é jornalista 

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