A razão da demora na nomeação do novo ministro da Saúde

O cardiologista Marcelo Queiroga, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ser o novo ministro da Saúde, ainda não assumiu  o cargo oficialmente. Mesmo já participando de solenidades e dando entrevistas como futuro chefe da pasta, ele não havia sido nomeado até as 11 horas desta sexta, 19. O motivo? O governo quer deixar passar o momento mais grave da pandemia em números de contágios e mortes. O objetivo é que ele tome posse assim que o gráfico de contaminação e de óbitos comece a cair, segundo apurou a coluna.

A ideia do governo é evitar que o cardiologista fique marcado como aquele que estava sentado na cadeira de ministro da Saúde quando o Brasil obteve o recorde de mortes. Nos últimos dias o país tem registrado o ápice de vítimas fatais de Covid-19 em períodos de 24 horas, somando um total de 284.775 pessoas falecidas e 11,7 milhões de infectados.

Apesar desses trágicos dados, o governo insiste em ir contra todas as avaliações de especialistas sobre medidas de combate à pandemia, e acredita que o país enfrenta agora o auge da segunda onda, mas que em breve os casos começarão a ceder.

O desejo de Bolsonaro é que Queiroga seja o responsável por ter diminuído os índices de Covid-19 no Brasil, mostrando que o presidente “acertou” na escolha do “salvador da pátria”.

Na avaliação do Planalto, o atual ministro, general Eduardo Pazuello, já está com a imagem marcada negativamente pela conduta de “amém a Bolsonaro”, que insiste no negacionismo e em minimizar a Covid-19. Por isso, a avaliação é a de que seria melhor deixar esses recordes negativos na conta dele, e não na do novo chefe da pasta.

O problema é que, para alguns especialistas, os índices só vão piorar. O ministério tem acesso a esses modelos epidemiológicos. Um crescimento exponencial só é interrompido se houver intervenção muito forte. A única saída disponível é o lockdown. A outra é inviável neste momento: vacinar 3 milhões por dia. Por isso, podem desistir da estratégia a qualquer momento.

Além disso, o risco dessa estratégia do Planalto é uma eventual reação do Exército, já que a imagem negativa de Pazuello acabou respingando na Força Armada. O temor interno é o de que o Exército passe a boicotar o governo.

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