A vacina rachadinha

Existe uma vacina que está avançado a passos céleres no Brasil, a que vai imunizar o filho mais velho do presidente, o senador Flavio Bolsonaro, das investigações sobre corrupção na Assembleia Legislativa do Rio quando era deputado estadual, entre 2007 e 2017, conhecida como “esquema da rachadinha”. Na terça-feira, a Quinta Turma do STJ anulou a decisão que quebrou os sigilos bancário e fiscal de Flávio, seu assessor Fabrício Queiroz e outros investigados. A decisão abre caminho para estancar todas as investigações envolvendo o primeiro filho e, por vias indiretas, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também beneficiária de depósitos rotineiros da família Queiroz.

Na próxima terça-feira, a mesma Quinta Turma do STJ deve retomar o julgamento de três outros recursos ajuizados pela defesa de Flávio Bolsonaro: um sobre o compartilhamento de dados pelo Coaf, outro sobre a existência de foro especial na tramitação do recurso do senador e, por fim, o caso referente à prisão de Queiroz.

As decisões do STJ são parte de cadeia de vitórias de Flavio Bolsonaro que começaram no ano passado quando seus advogados foram até o ministro do gabinete de segurança institucional, general Augusto Heleno, e pediram ajuda da Agencia Brasileira de Inteligência para provar que servidores da Receita Federal e do Coaf quebraram ilegalmente o sigilo do filho do presidente. Cinco servidores foram afastados e dois já foram demitidos por investigações internas.

Simultaneamente, a família Bolsonaro jogou pressão sobre o governador interino do Rio, Claudio Castro, que apenas está no cargo porque as investigações da Polícia Federal sobre desvios nas verbas de saúde excluíram o seu nome. Desde dezembro, as investigações no âmbito da Procuradoria do Rio sobre Flavio e seus assessores andam de lado. Na parte da PGR, Bolsonaro nada de braçadas desde que nomeou Augusto Aras, o procurador que acabou com a Lava Jato.

Com o caso Flavio prestes a ser enterrado, Jair Bolsonaro se livra do seu maior fantasma. Desde que venceu as eleições, o único ataque que tira o presidente do sério é o caso das rachadinhas. É a sua vacina para as eleições de 2022.

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