Adeus, impeachment

O tempo é relativo, ensinou o cientista Albert Einstein. Na política pode até não existir, o relógio atrasa ou avança segundo a conveniência dos interessados.

Não há noção de tempo estabelecida na Constituição para que a Presidência da Câmara avalie um processo de impeachment. Assim decidiu o juiz Kassio Nunes Marques, do Supremo, em sentença divulgada no fim de semana.

O deputado Arthur Lira, presidente da Câmara, já sabia, porque só depois de três meses no comando da Câmara, se deu ao trabalho de abrir a gaveta onde adormeciam os pedidos de impedimento de Jair Bolsonaro.

Na semana passada, Lira surpreendeu ao se tornar recordista em velocidade de análise de pedidos de impeachment presidencial. No espaço de 24 horas examinou e julgou uma centena deles.

Na segunda-feira (26) anunciou: “90%, 95% dos [pedidos de impeachment] que eu já vi não têm absolutamente nenhuma razão para apresentação, a não ser um fato político que queira se gerar.”

Na terça (27) completou o anúncio da decisão em sessão plenária: “Os pedidos de impeachment, em 100% e não 95%, em 100% dos que já analisei, são inúteis para o que entraram e para o que solicitaram.”

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A cerimônia do adeus de Lira ao impeachment de Bolsonaro aconteceu 72 horas depois que o Diário oficial estampou a sanção presidencial ao Orçamento para 2021.

O governo, magnânimo mesmo na ruína fiscal, reservou uma quantia recorde (R$ 34 bilhões) para pagar pequenas obras espalhadas por 5.570 municípios. Todas essas obras serão escolhidas e patrocinadas por deputados e senadores. É despesa de tamanho equivalente ao gasto federal com assistência a mais de 30 milhões de pessoas pobres inscritas no programa Bolsa Família.

As inaugurações estão previstas para a pré-temporada eleitoral. Algumas devem contar com a presença do presidente-candidato à reeleição.

Foi mera coincidência, certamente, a publicação da sanção presidencial ao orçamento recheado de valiosas emendas parlamentares e o adeus de Lira aos pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Mais uma vez, no entanto, provou-se que Einstein acertou sobre a relatividade da noção de tempo.

Bolsonaro e Lira demonstram: o que é passado para alguns pode ser futuro para outros.

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