Aliado de Bolsonaro obtém apoio para pôr prefeitos e governadores em CPI

O senador Eduardo Girão (Podemos- CE) afirmou ter conseguido na manhã desta segunda-feira, 12, as 30 assinaturas necessárias para ampliar o escopo de atuação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, que deverá ser instalada pelo Senado, com a inclusão de prefeitos e governadores entre os alvos da investigação. O objetivo é investigar também se aconteceram desvios de recursos e outros erros no combate à pandemia nas esferas estadual e municipal.

“Nós conseguimos o número suficiente de assinaturas para que a CPI seja ampla, independente e justa para investigar União, governadores e prefeitos”, disse Eduardo Girão. “Espero que a verdade venha à tona, quem está devendo vai ter que se justificar e quem errou vai ter que ser punido”, acrescentou.

No requerimento é pedido uma CPI com sete metros titulares, prazo de 90 dias e limite orçamentário de 90 mil reais para que seja investigada irregularidades em contratos, fraudes em licitações, superfaturamento, desvio de recursos públicos e negócios com empresas de fachada. Além de outras ações ilícitas, que se valeram de verbas originadas da União, cometidas por administradores públicos municipais, estaduais e federais durante a pandemia.

Até o momento, 33 senadores assinaram o pedido de CPI que adiciona Estados e municípios na investigação. Segundo a assessoria de Eduardo Girão, o número de assinaturas é maior que a de outro pedido apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (REDE-AM).

Com a iniciativa, Girão, que pertence à ala bolsonarista do Senado, coloca em prática a estratégia delineada pelo presidente Jair Bolsonaro, que já vinha defendendo nos últimos dias que prefeitos e governadores fossem investigados e não só o governo federal. A ideia é que, ao ampliar os níveis do Executivo que serão alvos de apuração, seja reduzido o foco da CPI em cima do Planalto e da gestão do presidente durante a crise da Covid-19.

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No final de semana, uma gravação divulgada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) de uma conversa dele com Bolsonaro, revelada pelo próprio parlamentar, mostra o presidente preocupado com a investigação e com a possibilidade de os senadores produzirem o que chamou de um “relatório sacana” contra o seu governo.

Eduardo Girão criticou a instalação da CPI apenas para o governo federal. “Com a determinação esdrúxula do STF invadindo a competência do Legislativo, governando o país, isso criou uma comoção nacional, as pessoas se indignaram e os senadores também. E ao invés de assinar a CPI de pessoas que pensam apenas na questão política e eleitoreira para 2022, porque se você foca apenas em um ente federado, você está focando em desgastar a imagem de apenas uma parte, que mandou centenas de bilhões de reais para estados e municípios”, afirmou.

A abertura da CPI da Covid-19 foi determinada na semana passada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas a decisão será ainda submetida ao plenário da Corte — o presidente do STF, Luiz Fux, incluiu o assunto como o primeiro item da pauta da sessão da próxima quarta-feira, 14.

 

 

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