Ao vazar contrato da Pfizer, Bolsonaro alimenta o caos

Bolsonaro ameaçou muitas vezes vazar o contrato de fornecimento de vacinas com a Pfizer, e o Ministério da Saúde finalmente o fez. É quebra de contrato, pois o teor do contrato é sigiloso.

O que o governo Bolsonaro pretende obter com mais essa atitude irresponsável?

  1. Cria-se o clima de que há algo suspeito, inconfessável, criminoso, no contrato. Sugere que há uma conspiração dos laboratórios, dos poderosos, dos malignos, dos comunistas, contra o presidente — que fica em sua posição favorita: a de vítima.
  2. A conversa fiada conspiratória é afirmada, repetida e repisada nas redes bolsonaristas de desinformação, mobilizando a militância.
  3. A polêmica gera mídia, mantém o presidente em evidência, e desvia a atenção do que realmente interessa: há quatro mil brasileiros morrendo de Covid por dia.
  4. E, claro, a atitude aumenta o ambiente de insegurança jurídica no país, e contribui para o caos (o que, na visão enviesada de Bolsonaro, é positivo).

“Mas e se a Pfizer exercer o direito de rescindir unilateralmente o contrato e se recusar a entregar os 100 milhões de vacinas, sem nem por isso abrir mão de receber 1 bilhão de dólares?! E aí, como é que fica?”

Uai, melhor ainda.

Vão morrer muitos milhares de brasileiros a mais… e Bolsonaro poderá botar a culpa na Pfizer.

Dependendo de quem olha, 1 bi de dólar está até barato para conseguir tudo isso de uma penada só.

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