Bolsonaro diz que Kajuru não pediu autorização para gravar conversa

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) não pediu autorização para gravar a conversa entre os dois. Ele deu a declaração durante a sua tradicional live nas redes sociais na noite desta quinta-feira, 15.

Segundo Bolsonaro, o parlamentar é maluco: “O senador Kajuru me ligou, foi uma conversa que eu teria com qualquer senador. Agora, o fato de gravar… No dia seguinte, ele me ligou novamente e falou que tinha cortado partes agressivas ao senador [Randolfe Rodrigues]. Fiquei quieto, quando ele falou aquilo, vi que o cara me gravou e iria divulgar. Não vou discutir com maluco. Ele não pediu autorização para gravar uma ligação comigo”.

No último fim de semana, Jorge Kajuru divulgou uma ligação em que o presidente da República sugere caminhos para interromper a CPI da Covid-19, que vai investigar a conduta do governo federal na pandemia. O senador declarou depois que Bolsonaro sabia da gravação: Ele falou tudo aquilo sabendo que eu estava gravando. É evidente”, disse.

O presidente também deu a entender que, caso haja pedidos de impeachment contra ministros do STF, a instalação da CPI pode ser interrompida. Na mesma ligação, Kajuru lembrou que já havia apresentado um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. O chefe do Planalto também cobrou que ações de governadores e prefeitos sejam investigadas.

Na live desta quinta, Bolsonaro pediu que Kajuru divulgue uma segunda conversa gravada. “Agora está faltando você divulgar a outra ligação que você diz que fez para mim e eu concordei. Publica aí. Essa você não gravou? Pô, Kajuru, você grava tudo. Não gravou porque vai se ferrar, né? Vai fazer uma prova contra você, tá certo?”.

Impeachment

Jair Bolsonaro também comentou a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, que deu cinco dias para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), explicar os motivos para não ter analisado os pedidos de impeachment protocolados na Casa.

Segundo o presidente, apenas Deus pode tirá-lo da cadeira presidencial: “Eu não quero me antecipar e falar o que acho sobre isso, mas digo uma coisa: só Deus me tira da cadeira presidencial e me tira, obviamente, tirando a minha vida. Fora isso, o que estamos vendo acontecer no Brasil não vai se concretizar”.

A decisão da ministra foi tomada em um processo no STF que questiona por que a Câmara dos Deputados não analisou os mais de 100 pedidos de impeachment já protocolados contra Bolsonaro. A Constituição estabelece que a decisão sobre a abertura ou não de um processo de impeachment cabe ao presidente da Câmara, que não possui prazo para tomar a decisão.

Lula

O presidente também comentou a decisão do STF de manter a decisão do ministro Edson Fachin que torna Luiz Inácio Lula da Silva apto a disputar as próximas eleições presidenciais. Bolsonaro disse não saber se será candidato, mas colocou o petista na disputa: “Se o Lula voltar, pelo voto direto, pelo voto auditável, tudo bem. Agora veja qual vai ser o futuro do Brasil com o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da presidência. Se o Lula for eleito, em março de 2023, ele vai escolher mais dois ministros para o STF. Não estou dizendo que vou ser candidato mas vamos ter uma eleição pela frente, o Lula vai ser candidato. Tira eu de candidato. Quem seria o outro que iria para o Lula pro segundo turno? Só fazer um raciocínio que vão entender o futuro de cada um de vocês”, disse.

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