Bolsonaro nega interferência no Exército, elogia Pazuello e ataca Mandetta

O presidente Jair Bolsonaro comentou na noite desta quinta-feira, de forma indireta, a decisão do Exército de não punir o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por participação em um ato com o próprio Bolsonaro no dia 23 de maio.

“A punição, pessoal, existe, nas Forças Armadas. Ninguém interfere. A decisão ali é do chefe imediato dele ou do comandante da unidade, e a disciplina só existe porque realmente o nosso código disciplinar é bastante rígido”, disse Jair Bolsonaro em sua tradicional live nas redes sociais, sem citar o nome de Pazuello. Segundo o presidente, o ônus da prova “cabe a quem acusa”: “Então, assim funciona. Eu já fui punido no Exército brasileiro, 15 dias de cadeia. Quando eu fiz a matéria na revista VEJA em 1986”. O presidente da República se referiu a um artigo que escreveu para VEJA no qual reclamava dos baixos soldos dos militares à época.

O general e ex-ministro da Saúde foi citado apenas mais tarde, quando o presidente falou sobre a assinatura de um acordo para a transferência de tecnologia de produção de vacinas com a Astrazeneca e a Fiocruz. Bolsonaro aproveitou a ocasião e fez críticas a outro ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta: “Começou com quem? Com o Pazuello lá atrás. O nosso ministro da saúde, que acabou o tempo — não que acabou o tempo, chegou no limite dele. Achamos melhor colocar alguém mais técnico, mais voltado para a saúde em si. Tinha que ser feito muita coisa, tinha muita coisa errada. Quem foi demitido foi o Mandetta. Aquele do protocolo do vai para casa, se sentir falta de ar, vai para o hospital ser intubado”.

Mandetta foi demitido em abril do ano passado após protagonizar embates públicos com o presidente por conta de discordâncias na condução do combate à pandemia.

CPI da Covid-19

O presidente também criticou os trabalhos da CPI da Covid, que apura as ações do governo federal frente ao combate à pandemia. Além de afirmar que a CPI perde “a chance de ser útil”, criticou os senadores Omar Aziz e Renan Calheiros. “Uma figura desqualificada como Renan Calheiros, ou Otto Alencar, ou Omar Aziz. Não tem cabimento. CPI é coisa séria. No passado, CPIs eram coisas sérias. Pessoal acha que com uma CPI vai derrubar o presidente. Vai derrubar por quê? Tão apurando desvios de recursos? Não, né, até porque o Renan falou que essa CPI não será usada para apurar desvios de recursos. Eu não aceitaria ser convidado para CPI por Renan Calheiros. Quer convocar? É o poder da CPI convocar. Agora, aceitar convite para ser inquirido por uma figura desqualificada como Renan ou Otto? Ou Omar? Não tem realmente cabimento isso aí.”.

Bolsonaro tomou cuidado para não citar termos como cloroquina e tratamento precoce. Ainda assim, voltou a defender o medicamento: “Aquela pessoa que é contra o tratamento imediato e não dá alternativa é no mínimo canalha. Eu tomei aquele remédio — não vou falar aqui para não cair a live. Senti mal há poucas semanas, tomei o mesmo remédio. No dia seguinte, fiz o teste, e, por coincidência, não estava infectado. Se estivesse, apontaria. E tudo bem. E quase 200 pessoas da presidência que foram contaminadas tomaram aquele remédio”.

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