Bolsonaro questiona Queiroga: ‘Tem doenças que não matam mais ninguém’

O presidente Jair Bolsonaro disse, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada nesta sexta-feira, 16, que pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que leve à próxima reunião do conselho criado para discutir o combate à Covid-19 a relação das mortes no Brasil por outras causas que não sejam o coronavírus, porque, segundo ele, “não morre mais ninguém” de certas doenças.

O pedido, segundo ele, foi feito em reunião do comitê criado com representantes do Executivo e do Congresso para discutir ações contra a pandemia. “Eu pedi em público ali para o ministro da Saúde para, na próxima reunião nossa do conselho, apresentar nos últimos 25 anos quantas pessoas morreram de cada doença. Têm certas doenças que não morre mais ninguém”, disse. O presidente ainda acrescentou que “nós sabemos que esse vírus está matando”, mas que é necessário ter um “número concreto” e questionou não ser anunciado o número de pessoas “salvas”. O país já tem mais de 365 mil mortos pela Covid-19.

O presidente também voltou a atacar a política de lockdown e a defender o chamado “tratamento precoce”, baseado no uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. Segundo ele, houve uma criminalização da terapia. “Estão processando o ministro da Saúde nosso por causa da cloroquina”, disse, referindo-se ao ex-titular da Saúde, o general Eduardo Pazuello. “Cloroquina é usada aqui há muito tempo para malária, entre outras coisas. Não existe excesso de produção nessa parte. Muito pelo contrário, até ia faltar, disse”.

Além disso, Bolsonaro criticou aqueles que não apoiam o uso de medicamentos do “tratamento precoce’. “Isso não dá certo, dizem. Idiota, o que dá certo? O cara é um jumento, fica falando lá: a ivermectina não pode, não sei o que não pode, não tem comprovação cientifica. Não tem alternativa, deixa o cara tomar”, disse. E aproveitou para atacar os adversários. “A ivermectina mata verme também, né? Então é por isso que a esquerda não gosta”.

Lockdown

O presidente criticou novamente a adoção de medidas restritivas de combate à pandemia, atribuiu ao isolamento social à alta na inflação e disse que não tem responsabilidade pelo aumento dos preços dos alimentos. “Estão deixando de plantar porque bares, restaurantes, o comércio está fechado em grande parte. Então não tem saída, estão deixando de plantar. Quando voltarem a plantar, vai demorar um pouco para voltar à normalidade, e o preço vai lá para cima. Quem é o patife que vai me culpar pela inflação?”, questionou.

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