Boulos: Copa América joga mais ‘lenha na fogueira’ em protestos de rua

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL-SP), disse a VEJA que novas manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro serão realizadas em breve. Representantes dos movimentos sociais que levaram milhares de pessoas às ruas das principais cidades do país irão se reunir virtualmente ao longo desta semana para fazer um balanço sobre os resultados dos protestos do sábado, 29. Novas datas para os atos poderão ser agendadas a partir desses encontros. 

Segundo Boulos, um catalisador para as manifestações é o anúncio de que o Brasil sediará a Copa América em meio ao recrudescimento da pandemia. “Nós teremos novos protestos contra Bolsonaro”, declarou Boulos. “A Copa América é um acinte. É óbvio que isso joga mais lenha na fogueira.” Em 2013 e 2014, a oposição à realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil impulsionou várias manifestações de rua sob o slogan “Não vai ter Copa”.

Boulos também afirmou que as lideranças dos movimentos sociais ficaram satisfeitas com o respeito dos manifestantes aos protocolos sanitários para impedir a disseminação da Covid-19. As pessoas que foram às ruas estavam em sua maioria usando máscaras, mas imagens aéreas dos atos mostram que houve aglomerações em diversas cidades.

“Ficou muito clara a diferença dos nossos atos para o bolsonarismo, que protagoniza um desfile da morte. Todo mundo estava usando máscaras e havia equipes de saúde orientando as pessoas. Foi um esforço hercúleo para garantir o respeito aos protocolos sanitários e à presença de máscaras. Isso fez a diferença”, disse Boulos.

VEJA mostrou na segunda, 31, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou positivamente surpreso com o tamanho dos protestos contra Bolsonaro. Na avaliação de Lula, uma quantidade relevante de brasileiros não foi aos atos exclusivamente por medo da pandemia.

O PT, agora, debate os próximos passos. Não há consenso sobre o que fazer. Uma ala defende que o partido deve surfar a onda iniciada no sábado e, nos bastidores, articular novos protestos. O que parece ser a maioria da legenda, no entanto, acredita que a cota de manifestações se esgotou no fim de semana. Essa ala argumenta que outros atos anti-governo incitarão o bolsonarismo a acusar a oposição de demagogia e de rasgar o discurso de defesa de medidas sanitárias quando se tem oportunidade de apedrejar a imagem do presidente.

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