Cada um na sua: o presidente manda, o ministro obedece, a gente morre

Jair Bolsonaro explicou a mudança no ministério da Saúde.

Esclareceu que Queiroga, que é médico, é “muito mais entendido na questão de saúde e vai fazer outros programas que interessam cada vez mais para diminuirmos o número de pessoas que venham a entrar em óbito por ocasião dessa doença, que se abateu sobre o mundo todo”.

Mandetta e Teich eram médicos como Queiroga e também “muito mais entendidos na questão da saúde”, mas Bolsonaro os escorraçou e nomeou Pazuello. É que antes não precisávamos de entendidos na questão da saúde, mas de entendidos na questão da logística, e Pazuello era, como se sabe, “especialista em logística”.

O general entendido em logística esqueceu sete milhões de testes (que caducaram) num galpão; deixou de comprar seringa, agulha e vacina; ignorou o aviso de que ia faltar oxigênio em Manaus; e quando finalmente providenciou oxigênio para o Amazonas, mandou-o para o Amapá. Mas o presidente acha que “o trabalho do Pazuello está muito bem feito. A parte de gestão foi muito bem feita por ele. E agora vamos partir para uma parte mais agressiva no tocante ao combate ao vírus”.

Bolsonaro concluiu confirmando o que já sabíamos: “Queiroga tem tudo para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento a tudo o que o Pazuello fez até hoje”.

Ou seja, Bolsonaro vai continuar mandando, o ministro da Saúde vai continuar obedecendo — e nós vamos continuar morrendo.

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