Câmara do Rio apagou registros de visitantes antes da morte de Marielle

Três anos depois dos brutais assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro informou que não existem registros dos visitantes que estiveram na Casa Legislativa municipal entre janeiro de 2017, quando Marielle assumiu seu mandato, e março de 2018, mês em que ela foi vítima de uma emboscada no Centro do Rio de Janeiro.

Neste domingo, 14, o crime completa três anos sem apontar os mandantes e intermediários das mortes, tampouco a motivação do duplo homicídio. No último dia 5, VEJA revelou que a polícia trabalha com a tese de um complô entre mandantes e intermediários do crime. A hipótese de motivação seria uma possível vingança contra o PSOL, legenda da parlamentar.

A documentação sobre presenças na Câmara foi solicitada por VEJA por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) no mês passado, e a resposta sobre o apagamento integral dos arquivos veio na última terça-feira, 9. 

Os dados, que são públicos e que deveriam estar à disposição de quem os solicite, mostram a foto, número de documento e para onde, exatamente, cada visitante da Câmara dos Vereadores se deslocou – segundo a reportagem apurou, a maior parte se dirige a gabinetes de parlamentares. 

A exclusão dos arquivos não permite a verificação de uma eventual presença no local de possíveis envolvidos e investigados no inquérito que apura a morte da vereadora e de seu motorista, ocorrida em 14 de março de 2018 no Estácio, bairro da região central do Rio de Janeiro.

Continua após a publicidade

Questionada por VEJA sobre o apagamento dos arquivos de visitas prévias a um crime que vitimou uma parlamentar da casa e sobre um eventual back-up ou cópia dos arquivos, a Câmara respondeu que “não dispõe dos arquivos” e que parte deles foi “entregue à polícia, em sigilo, para a investigação”. 

A assessoria da Câmara informou ainda que os registros são guardados por um período de um ano. Nem os documentos enviados a jornalistas no começo das investigações do caso constam mais nos arquivos da casa. Os dados apagados, aos quais VEJA solicitou acesso três anos depois, estavam inseridos no período em que Marielle foi empossada no mandato até seu brutal assassinato.  

A entrega para a DH foi feita na 1ª fase das investigações do caso Marielle, comandada pelo delegado Giniton Lages durante a Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio, que vigorou quando o duplo assassinato de Marielle e Anderson ocorreu e durou até o final de 2018.  

Lages foi afastado do caso logo após a entrega dos suspeitos de execução do crime, o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz, em 12 de março de 2019. Entretanto, a Câmara dos Vereadores não informou qual o período solicitado pela polícia à época.

O apagamento da documentação por parte da Casa Legislativa chama a atenção porque se trata do duplo homicídio mais complexo do país, mas, aparentemente, nem a situação atípica da perda da vida de uma parlamentar em uma execução brutal foi o suficiente para resguardar os registros de quem transitou por lá no curto período em que Marielle – a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2018, com mais de 46 mil votos – estava em pleno exercício de seu mandato.

Continua após a publicidade

Ultimas notícias

Irã classifica apagão em usina nuclear de Natanz como “ato terrorista”

A usina atômica de Natanz, no Irã, sofreu um blecaute na manhã deste domingo. As autoridades iranianas classificaram o incidente como um ato de...

Grupos religiosos protestam contra decisão do STF sobre cultos e missas

Grupos religiosos fizeram neste domingo um protesto em frente ao Congresso Nacional contra a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a...

Igreja Católica da Austrália paga indenização milionária a vítima de abuso

Um homem de 58 anos cuja identidade não foi revelada vai receber uma indenização de 1,5 milhão de dólares australianos (cerca de 6,5 milhões...

O que Bolsonaro é, segundo Marta Suplicy

O que disse Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, sobre o presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao programa  Manhattan Connection, na TV Cultura. https://youtube.com/watch?v=iq_HayFJl30&feature=oembed Mais lidasBrasilBrasilA...

Pandemia não anula a Constituição

Editorial de O Estado de S. Paulo (11/4/2021) Nenhuma circunstância excepcional, nem mesmo a maior crise de saúde em um século, justifica que se ignore...