Cleptocracia (por José Paulo Cavalcanti Filho)

É evidente que a Lava Jato não estava nos planos dos poderosos. Era um plano perfeito. Mas não combinaram com os russos. E ficou tumultuado. A Lava Jato revelou o que? Pelas contas do novo orçamento da Petrobrás, 6,8 bilhões destinaram-se a propina. É fácil disputar a eleição com isso. A campanha da presidente Dilma custou 350 milhões. Eles têm dinheiro para disputar as eleições até 2038. E deixariam uns caraminguados para os demais partidos, era uma forma fácil de se eternizar no poder.

Na verdade, o que se instalou no país nesses últimos anos, e está sendo revelado na Lava Jato, é um modelo de governança corrupta. Algo que merece o nome, claro, de Cleptocracia. Vejam o que fizeram com a Petrobrás. Vejam o valor da Petrobrás, hoje. Por isso que defendem com tanta força as estatais. Não é por conta de dizer que as estatais pertencem ao povo brasileiro, porque pertencem a eles. Eles que tinham se tornado donos da Petrobrás. Esse era o modo de governança. Infelizmente para eles, e felizmente para o Brasil, deu errado. Isso revelou que nós estivemos, nesse caso, em uma governança corrupta. Um método de governança Cleptocrata.

P.S.  Antes que o amigo leitor forme algum juízo sobre este pobre autor, informo que o texto não é meu. Mas do Ministro do Supremo Gilmar Mendes. E a transcrição é fiel – ao contrário daquelas da IntercePT, fraudadas, como provou perícia no Caso Mari Ferrer. O mesmo Gilmar, que tanto elogiava a Lava Jato, agora é seu maior carrasco. O que faz lembrar Machado de Assis (Soneto De Natal), “Mudaria o Natal ou mudei eu?”. Mudou ele. Já longe de quem foi, agora é seu contrário. Reproduzindo O Médico e o Monstro, de R.L. Stevenson; quando convivem, num só corpo, Dr. Jekyll e seu alter ego demoníaco, Mr. Hyde. Há palavras que, uma vez ditas, não podem ser esquecidas. Como essas. E fica muito feio, depois de tão pouco tempo, esquecer a “governança corrupta” ou a “Cleptocracia” (do grego kleptein, roubar, mais cracia, governo), para premiar seus responsáveis – que tem, ele sabe, as mãos sujas. É (quase) impossível acreditar. Terá razões respeitáveis para mudar de posição? Só a história dirá, um dia. Enquanto isso, prefiro ficar com o amigo Fernando Pessoa; que, numa carta a sua mãe (dona Maria Madalena Pinheiro), parece resumir esse episódio ao dizer que “Mudar é sempre mau, é sempre mudar para pior”.

José Paulo Cavalcanti Filho

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