Datas: Paulo Mendes da Rocha e Jaime Lerner

O arquiteto e urbanista capixaba Paulo Mendes da Rocha dizia que a arquitetura é uma “questão política”. Crítico ferrenho da especulação imobiliária e do excesso de automóveis nas ruas, ele valorizava o uso do espaço público pelo cidadão e não suportava a falta de planejamento das cidades. Em seus projetos, buscava a manutenção da geografia dos terrenos e tinha como credo encaixá-los de forma orgânica na natureza. É o que se vê, de modo indelével, em obras paulistanas como o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), a reforma da Pinacoteca do Estado, o Sesc 24 de Maio e o Museu da Língua Portuguesa, em parceria com o filho Pedro. No Rio de Janeiro, fez o restauro da Casa Daros, casarão do século XIX, em Botafogo. Fora do Brasil, é celebrado pelo Museu dos Coches, em Lisboa.

Mendes da Rocha começou a chamar atenção em 1958, aos 29 anos, com o desenho do Ginásio do Club Athletico Paulistano, nos Jardins, área nobre de São Paulo: uma estrutura formada por seis pilares de concreto que se afinam ao tocar o solo. Com a obra, ganhou o Grande Prêmio Presidência da República na 6ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1961. Mais tarde, com a carreira consolidada, foi reconhecido com outros prêmios internacionais, como o Pritzker, considerado o “Nobel da Arquitetura”, e o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza. Ele morreu aos 92 anos, em 23 de maio, em decorrência de um câncer no pulmão. O filho Pedro foi às redes sociais para homenageá-lo. “Depois de tanto projetar edifícios em concreto e aço, meu pai foi projetar galáxias com as estrelas!” Ou então, nas próprias palavras de Mendes da Rocha, ao comentar a doação de 300 de seus projetos à Casa de Arquitectura de Portugal, em 2020: “E os prédios que eu construí? Estão todos aqui. Cuidem disso. Isso ninguém tira daqui. Eu serei sempre um arquiteto brasileiro”.

Uma cidade para o mundo

PREMIADO - Prefeito de Curitiba e governador do Paraná: o pai do BRT –Marcelo Rudini/.

Numa reportagem de 2007, o The New York Times fez uma pergunta fundamental, ao elogiar o cotidiano de Curitiba: “Como as cidades seriam se urbanistas, e não políticos, estivessem no poder?”. Jaime Lerner era a resposta, ao reunir as duas características, e em ambas teve carreira de reputada excelência. Prefeito da capital paranaense em três mandatos (1971-1974, 1979-1983 e 1989-1993) e governador do estado em duas gestões (de 1995 a 2003), fez fama internacional com suas intervenções urbanas, especialmente no setor de transporte público, sempre premiadíssimas. Foi de Lerner a ideia do BRT, o sistema de ônibus em canaletas exclusivas, adaptado em 250 cidades mundo afora. Ele morreu em Curitiba, aos 83 anos, em 27 de maio, em decorrência de uma doença renal crônica.

Publicado em VEJA de 02 de junho de 2021, edição nº 2740

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