Em Canoas no Rio Grande do Sul, cunhados de Jairo Jorge são envolvidos em escândalo nacional

O envolvimento do ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge, e de sua esposa Taís Pena, em consecutivos escândalos envolvendo má utilização de dinheiro público não são casos isolados na família. Além de ser prima do petista José Dirceu, condenado no escândalo do Mensalão, Taís é irmã de Joy e Jacques Pena. Os irmãos Pena são responsáveis por desviar recursos públicos através da Fundação Banco do Brasil e de uma ONG, destinando valores irregularmente para prefeituras que eram comandadas por seus aliados.

Relações com Jairo

Durante o governo do então petista Jairo Jorge, a Fundação Banco do Brasil, presidida por seu cunhado, destinou recursos para Canoas, para a construção de uma estação digital. Vale pontuar que, na ocasião, o site da Prefeitura de Jairo omitiu o sobrenome Pena, e chamou o cunhado do ex-prefeito apenas de Jacques Oliveira, para omitir a relação com a então primeira-dama Taís. A notícia que evidencia as relações de Jairo com seu cunhado investigado pode ser lida neste link: http://oldsite.canoas.rs.gov.br/site/noticia/visualizar/id/108497.

De acordo com a revista Época, a Polícia Federal descobriu, por meio das escutas, que a ONG de Joy Pena, irmão de Taís e Jacques, apresentou uma nota fiscal fria para receber recursos antecipados da fundação. As conversas interceptadas mostram, ainda, que Joy Pena atuava como lobista do grupo. Buscava “projetos sociais”, sempre de gente ligada ao PT, que pudessem receber dinheiro da fundação. É dos quadros do PT no período o então prefeito do município gaúcho de Canoas, Jairo Jorge, cunhado de Pena – a fundação financiou em Canoas projetos de reciclagem de lixo e “inclusão digital”. Numa das escutas realizadas pela polícia, funcionários da fundação cogitavam transferir um equipamento de triturar lixo de obra – adquirido para o município vizinho de São Leopoldo, com recursos da fundação – para Canoas, em razão de a prefeitura de São Leopoldo ter passado para as mãos de PSDB nas últimas eleições.

Entenda o esquema de corrupção

Como o jornal O Estado de São Paulo revelou também em 2013, a Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) do DF apreendeu documentos e computadores na sede da FBB. Dois DVDs e um CD foram retirados do gabinete do presidente da fundação, Jorge Alfredo Streit (PT-RO). Streit sucedeu o cunhado de Jairo Jorge, Jacques Pena, que é alvo da investigação.

Com sede em Brasília numa sala sem identificação, fechada em horário comercial, a Associação de Desenvolvimento Sustentável do Brasil (Adesbra) firmou parcerias de R$ 5,2 milhões com a FBB desde 2003. O diretor executivo, Joy de Oliveira Pena, que também é irmão de Taís Pena, e tem ligações com outras ONGs.

Na época, filiado ao PT, Joy participa da Rede Terra, conforme documento da FBB obtido pelo jornal. Desde 2007, essa entidade de Cristalina (GO) tem convênios de R$ 7,5 milhões com a fundação. Ela era dirigida por Luiz Simion, cujo irmão, Vilmar Simion, então coordenador executivo da Programando o Futuro, outra ONG contemplada com R$ 4,9 milhões para atuar em Valparaíso de Goiás.

Tentáculos da família

Os irmãos Pena são conhecidos por levar para a FBB a “República de Caratinga (MG)”, cidade natal da família. Com a Associação dos Produtores Rurais e Agricultores Familiares de Santo Antônio do Manhuaçu, desse município, a fundação firmou convênio de R$ 1,05 milhão. “Tem razão de estar desconfiando, porque é parente, né?”, diz o ex-presidente Sérgio Pena de Faria, primo de Taís, Jacques e Joy.

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