Em gesto de reaproximação, Planalto promete manter cargo do MDB no governo

O governo de Jair Bolsonaro dá sinais de que está disposto a tentar curar as possíveis feridas abertas pela disputa ao comando da Câmara dos Deputados. Após o Palácio do Planalto fazer campanha pelo novo presidente, Arthur Lira (Progressistas-AL), liberando  verbas a deputados que votassem no progressista e distribuindo seus aliados em órgãos federais, o movimento agora visa alcançar a parte derrotada.

Em um gesto de reaproximação, articuladores do governo prometem não impor nenhum tipo de sanção ao deputado Baleia Rossi (MDB-SP), candidato derrotado à presidência da Câmara que se aliou ao centro e à oposição para rivalizar com  o nome apoiado pelo Planalto. Baleia, em um aceno à esquerda, vinha defendendo pautas um tanto espinhosas a Bolsonaro, como a criação de comissões de inquérito para apurar possíveis desmandos e a análise dos pedidos de impeachment protocolados na Casa.

Mesmo assim, esses articuladores afirmam que, para comprovar que não houve mágoas, vão manter um indicado do emedebista em um importante cargo no governo – em movimento oposto, nomes ligados a parlamentares que anunciaram voto em Baleia acabaram sendo cortados de órgãos federais como uma retaliação.

O cargo creditado a uma indicação de Baleia é a Secretaria Nacional de Habitação, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. O secretário Alfredo Eduardo dos Santos está no cargo deste dezembro de 2019.

Presidente nacional do MDB, Baleia sempre ressaltou a posição de independência do partido dentro do governo e nega a paternidade da indicação. Segundo auxiliares, o deputado conhece Alfredo Santos como um empresário de Ribeirão Preto, berço político do emedebista, e jamais manteve uma agenda oficial com ele. Ainda assim, o governo insiste que o posto é do emedebista.

Com 34 deputados, o MDB é considerado uma importante engrenagem na aprovação de temas prioritários ao governo. O partido vem votando em peso a agenda econômica proposta pelo Palácio do Planalto e seus votos são esperados para darem aval a uma lista de pautas reformistas propostas para o terceiro ano de mandato de Jair Bolsonaro. Por isso, avalia o Planalto, já não é mais momento de criar algum novo tipo de desgaste.

 

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