Fabio Wajngarten pode ter que voltar a depor na CPI da Pandemia

O ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República Fábio Wajngarten, que prestou um dos depoimentos mais tensos e tumultuados à CPI da Pandemia, pode ter que voltar a depor na comissão do Senado que avalia a atuação do governo no enfrentamento da Covid-19 – desta vez por conta dos gastos oficiais com publicidade para enfrentar a crise sanitária.

No primeiro depoimento, no dia 12 de maio, Wajngarten chegou a ter a sua prisão pedida pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), mas a solicitação foi rejeitada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Wajngarten foi parar na comissão após a repercussão de uma entrevista concedida a VEJA, na qual revelou bastidores das negociações envolvendo a compra de vacinas da Pfizer.

Agora, ele poderá ter de voltar à comissão para explicar qual foi a política do governo ao direcionar recursos para campanhas publicitárias relacionadas à pandemia. O pedido de reconvocação foi feito pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), com base em informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto ao próprio governo.

Segundo o senador, o governo Jair Bolsonaro gastou 5 milhões de reais com campanhas de divulgação da vacina, outros 19,5 milhões com o chamado “tratamento precoce” – uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a cloroquina – e 30 milhões de reais com a defesa da volta ao trabalho.

Para o senador, isso revela que a prioridade do governo sempre foi a chamada imunidade de rebanho, ou seja, a contaminação do maior número de pessoas como forma de se imunizar contra o coronavírus. “Isso mostra claramente que a pandemia foi conduzida no sentido de promover a expansão do contágio natural entre brasileiros e brasileiras. Estamos agora colhendo os frutos, que são os mais fúnebres”, afirmou.

O presidente Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que o pedido de reconvocação será votado ainda nesta sessão de terça-feira, 1º, na audiência em que está sendo ouvida a médica Nise Yamaguchi, que é defensora do uso da cloroquina e atua como conselheira informal do presidente Jair Bolsonaro nas ações de enfrentamento à pandemia.

 

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