Governo erra alvos e sai perdendo na CPI da Covid

O governo tentou, mas não conseguiu atrapalhar o início dos trabalhos da CPI da Covid. O balanço da primeira manhã da comissão é que nenhum dos dois métodos escolhidos funcionou.

Em primeiro lugar, a equipe do governo levou sua tropa de choque para brigar com Renan Calheiros. Os governistas passaram o tempo todo questionando a lisura de Renan como relator da CPI. A Justiça, no entanto, definiu que a escolha do relator é ato interno do Senado e não deve ser submetida ao Judiciário.

O segundo alvo eram os senadores que estão em mais de uma CPI, prática proibida pelo regimento do Senado. Nesse caso, quem estava em mais de uma comissão preferiu sair dos outros grupos para ficar na CPI da Covid. Mais uma estratégia fracassada.

Além de errar os alvos, o governo viu Eduardo Girão receber apenas três votos para assumir a presidência da CPI. Ele perdeu para Omar Aziz (PSD-AM), que recebeu oito votos.

Girão queria fazer uma manobra para livrar o governo de Renan e dos riscos. Vendo que ia perder, fingiu que queria um acordo: ele presidiria por 50%, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) seria vice e presidiria a segunda metade e Girão indicava o relator, que não seria Renan.

Girão é neófito, novato na questão. Qualquer senador que já viu uma CPI sabe que a primeira metade é decisiva para levantar as principais questões e o relator tem um papel chave. Ele é o primeiro a inquirir os depoentes, ele de fato comanda o processo.

Após a primeira manhã, o balanço da CPI é negativo para o governo. Com a tática usada nesse primeiro momento, tudo o que conseguiu foi atrasar os trabalhos da comissão em duas horas e meia, mas acabou tendo outros dissabores.

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