Guedes quer ficar e não vai enfrentar Bolsonaro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não pretende pedir demissão e nem contestar publicamente a intervenção da Petrobras pelo presidente Jair Bolsonaro. Desde sexta-feira, quando o governo anunciou a substituição do economista Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna no comanda da Petrobras, Guedes tem evitado declarações públicas. Sabe que seria impossível pelo seu histórico de defesa da livre iniciativa concordar com a troca, mas quer ficar no cargo de ministro a todo custo. O silêncio foi a opção.

Em busca de um safe face que o mantenha com alguma credibilidade no cargo, Guedes vai se concentrar nos próximos dias na aprovação da nova PEC Fiscal, a proposta de mudança constitucional que permite, simultaneamente, a criação de uma exceção na lei para recriar o Auxílio Emergencial com medidas compensatórias como o congelamento dos salários dos servidores públicos, a desvinculação de gastos como BPC e o abono salarial com os reajustes do salário mínimo e a possibilidade de paralisação de serviços públicos em caso de explosão de gastos.

Esta PEC é resultado da fusão de outras medidas que estavam andando de lado no Congresso desde o final de 2019. Quando compreendeu que a volta do Auxílio Emergencial era inevitável, Guedes impôs as medidas de contenção de gastos como contrapartida. Em tese, dessa forma, o mercado ao assistir a abertura de uma linha de gastos não se assustaria porque a mesma lei permite cortes e suspensões de gastos em outras áreas.

Talvez seja tarde demais. A confiança do mercado no governo Bolsonaro vale um pacote de cloroquina. Hoje pela manhã, as ações da Petrobras caíram 20%. Somadas, as ações de Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras e BR Distribuidora perderam R$ 80 bilhões. O índice Ibovespa que está em 112 mil pontos pode cair a 100 mil nos próximos dias.

O futuro de Guedes no governo depende agora do Congresso. Se a PEC Fiscal vier com fortes restrições fiscais, o mercado tende a se acalmar e em um mês a Bolsa pode voltar aos 120 mil pontos da semana passada, mas há um fator que nem os que defendem Guedes estão analisando.

Dificilmente o novo Auxílio Emergencial vai custar apenas os R$ 30 bilhões estimados pelo Ministério da Economia. O novo auxílio vai durar até o fim do ano e não deve custar menos de R$50 bilhões.

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