Inquérito que investiga caixa 2 da Odebrecht a Renan vai, enfim, a Alagoas

Depois de quatro meses, enfim chegará à Justiça Eleitoral de Alagoas um inquérito que investiga o suposto recebimento, pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Pandemia, de 500.000 reais em caixa dois da Odebrecht na campanha eleitoral de 2010. A apuração foi enviada ao Tribunal Regional Eleitoral alagoano nesta quinta-feira, 27, por ordem do ministro Marco Aurélio Mello.

Em janeiro, Marco Aurélio havia decidido que o inquérito não deveria ser abarcado pelo foro privilegiado de Renan, porque, embora ele já fosse senador à época dos fatos investigados, as suspeitas não têm relação com o mandato dele. O ministro determinou, então, que as apurações passassem a correr na primeira instância. A Procuradoria-Geral da República havia se manifestado favoravelmente à mudança de instância.

A decisão, no entanto, não pôde ser cumprida por causa da pandemia, que levou à suspensão dos prazos de processos físicos em tramitação no Supremo, atualmente prorrogada até o dia 31 de maio. Como há uma petição em sigilo dentro do inquérito, com o conteúdo de uma delação premiada, a Corte não digitalizou a ação. O ministro decidiu na última terça-feira, 25, no entanto, que “a prestação jurisdicional não pode cessar” e mandou que o processo seja enviado a Alagoas.

O inquérito apura se Renan Calheiros recebeu os 500.000 reais entre agosto e setembro de 2010, divididos em dois repasses de 250.000 reais em dinheiro vivo. O suposto repasse, que estaria vinculado às obras do Canal do Sertão, em Alagoas, foi registrado em uma planilha nos sistemas usados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para contabilizar o fluxo do dinheiro ilícito. O codinome de Renan no documento era “Justiça”.

Segundo a Polícia Federal, “há elementos concretos e relevantes no sentido da existência de materialidade e autoria dos crimes investigados no presente inquérito, encontrando-se presentes indícios suficientes de que o Senador JOSÉ RENAN VASCONCELOS CALHEIROS cometeu o crime previsto no art. 350 do Código Eleitoral, na modalidade ‘Caixa 2′”.

Continua após a publicidade

Ultimas notícias

“Dizer que é jabuti, é depreciar o trabalho”

“Essa Casa tem que aprender a separar exatamente o que é que ela chama de jabuti para que a gente não jogue terra...

Osmar Terra deve prestar depoimento na CPI da Covid nesta terça-feira

O ex-ministro da Cidadania e deputado Osmar Terra (MDB-RS) presta depoimento nesta terça-feira, 22, na CPI da Covid-19. Ele é apontado como um dos...

Barroso mostra auditoria de urnas a deputados da comissão do voto impresso

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, se reuniu nesta segunda-feira, 21, com deputados federais para apresentar o funcionamento do...

Mais candidato do que nunca, Lula avisa que rodará o país

Em live em comemoração aos 80 anos do vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT), Lula mostrou que é mais candidato do que nunca...

Após novo ataque de Bolsonaro, Pacheco sai em defesa da imprensa

Depois de mais um rompante autoritário de Bolsonaro contra a imprensa, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-RO), veio à público apresentar um contraponto...