Inteligência artificial entra em campo (por Gaudêncio Torquato)

O vírus mutante da Covid 19, esse diabo que aterroriza o planeta, instiga uma bateria de interrogações: as vacinas já desenvolvidas e outras em teste poderão enfrentar as novas cepas de letalidade bem maior? A Humanidade estará preparada para pandemias mais cruéis, como preveem patrocinadores da ciência, como Bill Gates? O mundo está com muito medo, marcado pela dor, pelo desalento, pelo descrédito nos governantes, pela morte.

A resposta da ciência é a esperança. Em apenas um ano os pesquisadores conseguiram responder ao clamor da Humanidade com uma coleção de vacinas, um dos maiores avanços da pesquisa científica em todos os tempos. Isto leva a inferir que o ser humano ganhará a guerra.

Avançamos celeremente no campo da Inteligência Artificial e o planeta alcançará imensas conquistas, como prevê o escritor israelense Yuval Harari. O homem, diz ele, possui duas habilidades fundamentais e inigualáveis, a conectividade e a atualização, isto é, a capacidade de se conectar com outras redes neurais e continuar aprendendo, e a habilidade de se atualizar.

A inteligência artificial já está presente em nossas vidas, como reconhecimento facial e de voz, algoritmos que orientam os empreendimentos e sistemas de vendas, enfim, como “o principal impulsionador de tecnologias emergentes, como Big Data, Robótica e IoT “(Internet das Coisas)” nos termos usados pelo blog Brasil Westcon. Os carros elétricos são uma realidade. Logo mais os carros autônomos, para reduzir o índice de acidentes nas estradas.

Em outro campo, robôs operam em chão de fábrica na montagem e empilhamento junto com sistemas de controle de produtos nas lojas. Grupos de varejo controlam gondolas de suas lojas, peça por peça. Na medicina, a varredura no corpo humano permite ao médico saber rapidamente o ocorre com o paciente. E este pode olhar em seu relógio os indicadores de sua saúde.

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Na educação, a tutoria virtual detectará deficiências de cada aluno. No atendimento aos clientes, a inteligência artificial marcará consultas no salão de cabeleireiro do bairro. Mas eliminará milhões de empregos – motoristas, radiologistas, avaliadores de seguros. Como abrigar esses contingentes? É o drama que nos espera.

Entremos na política, minha análise rotineira. Quais os impactos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário? Serão mais fortes com a instantaneidade da interação de emissores e receptores de mensagens. A transparência plena permitirá maior cobrança da participação social no processo político. A moral e a ética permearão o foro de debates. Governantes e representantes serão passados a limpo todo tempo. Minorias subirão ao palanque do discurso político.

Ora, esse repertório sinaliza a remoção de quadros desafinados com a orquestra social e a respectiva seleção de perfis comprometidos com demandas sociais. Este analista desenha um horizonte menos tenebroso, com mais solidariedade e harmonia. Urge acreditar na primeira lei da robótica de Asimov: “um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano seja prejudicado”.

 

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político

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