Lira põe dedo na ferida

O presidente da Câmara, Arthur Lira, não poderia ser mais claro: ou o presidente da República toma jeito ou não dará mais para segurar a instalação de uma CPI para apurar os desmandos no trato da pandemia e, no limite, a abertura de um processo de impeachment.

Falou disso quando aludiu aos “remédios políticos amargos” com “efeitos fatais” disponíveis no Poder Legislativo no “alerta amarelo” que fez, com jeito de ultimato a Jair Bolsonaro que, se estiver com seu instinto de sobrevivência em dia, deve enxergar uma luz vermelha.

Lira falou com respaldo. De congressistas de governo e de oposição, do Judiciário, de entidades civis e até do PIB que mais recentemente decidiu sair da toca. Criou em dois meses uma situação politicamente difícil para o presidente Bolsonaro, que o antecessor Rodrigo Maia não conseguiu em dois anos.

A dificuldade do Planalto é como reagir. Não pode atribuir as declarações a ofensivas de adversários eleitorais nem se arriscar a dar respostas agressivas, pois está lidando com o expoente máximo de sua base de apoio congressual.

A saída por ora é o presidente se fazer de desentendido e mandar seus interlocutores palacianos dizerem que o recado de Lira teve como referência exclusiva a pressão pela demissão do chanceler Ernesto Araújo, cujo passaporte de saída parece carimbado.

Bolsonaro pode interpretar como quiser, mas a fatura apresentada pelo presidente da Câmara é bem mais ampla e mostra ao chefe da nação que não é possível fazer tudo errado e esperar que dê certo no final.

Continua após a publicidade

Ultimas notícias

Nunes Marques é sorteado relator de impeachment de Alexandre de Moraes

O ministro Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi sorteado nesta segunda-feira, 12, relator da ação protocolada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), que...

Atirador deixa ao menos um morto em escola nos EUA

Uma pessoa morreu e outra, um policial, ficou ferida após a ação de um atirador em uma escola em Knoxville, no estado americano do...

Bolsonarismo, conservadorismo e liberalismo (Por Denis Lerrer Rosenfield)

Jair Bolsonaro, em sua eleição, conseguiu encarnar a força do antilulopetismo, congregando em torno de si três correntes de ideias que, naquele então, apareceram...

Conversinha impublicável

A conversa telefônica entre o presidente Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru é espantosa por muitos motivos. Primeiro, claro, pelo teor. O que se ouve...

Transe populista

Editorial de O Estado de S. Paulo (12/4/2021) Há anos o Brasil está entregue ao populismo. Desde pelo menos o final do primeiro mandato do...