Mourão prova na pele que vice-presidente para pouco serve

Tão logo o presidente Jair Bolsonaro indicou seu vice, o general Hamilton Mourão, para comandar o Conselho da Amazônia, assessores de Mourão, em júbilo, se apressaram em confidenciar a jornalistas que o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, conheceria doravante “o que é bom para tosse”.

Queriam dizer que Salles perderia o protagonismo em uma área em que reinava soberano com a ajuda dos filhos de Bolsonaro e o aval do presidente da República. Mourão animou-se. Fora-lhe dada, afinal, uma boa ocupação depois de amargar tantos meses sem ter o que fazer – salvo sonhar com a renúncia de Bolsonaro.

Vice-presidente é nada. No Brasil, é só expectativa de poder. Mesmo assim, o destino deles, do fim da ditadura militar de 64 para cá, não tem sido tão infeliz. José Sarney sucedeu a Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse. Itamar Franco a Fernando Collor, derrubado. Pela mesma razão, Temer a Dilma Rousseff.

A oposição ao governo Bolsonaro prefere que ele sangre até o seu último dia de mandato a ver Mourão no seu lugar. É o trauma da farda que por 21 anos governou o país. E se Mourão desse certo? E se, por dar certo, ele tentasse se reeleger? E se os militares o apoiassem para continuar mandando no país? Fica, Bolsonaro!

O possível brilho de Mourão no comando do Conselho da Amazônia durou pouco tempo. A ele, Bolsonaro prefere a companhia de Salles. Mourão não foi ouvido nem cheirado sobre a posição que o Brasil deveria adotar na Cúpula do Clima que começa hoje. Limitou-se a dizer para desagrado de Bolsonaro:

– O Brasil não deve se comportar como mendigo.

É como deverá comportar-se.

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