Novo deputado da ‘bancada da bala’ tem histórico de agressões

A chamada “bancada da bala” da Câmara dos Deputados ganhou reforço com a posse de Laerte Bessa (PL-DF), suplente da deputada Flávia Arruda (PL-DF), que assumiu o cargo de ministra da Secretaria de Governo da Presidência da República. Goiano, 66 anos de idade, advogado, Bessa foi diretor da Polícia Civil de Brasília e já tinha sido deputado federal em outros dois mandados.

De temperamento explosivo, o ex-delegado acumula em seu currículo casos de agressão. O último episódio foi em novembro de 2019, quando ele agrediu fisicamente o porteiro de seu prédio, no bairro de Águas Claras, no Distrito Federal. O motivo: como já passava das 23hs, o funcionário não autorizou um entregador de pizza a subir no edifício — cumprindo uma regra de segurança estabelecida pelo próprio condomínio. Descontrolado, Bessa desceu de seu apartamento e, segurando algo que parecia ser uma arma sob a camisa, ameaçou o porteiro: “Quer morrer? Quer morrer? Eu te mato aqui agora, seu F.D.P.”,  gritou, pouco antes de agredir  o rapaz com um tapa.

Há outros episódios de violência no currículo do parlamentar. Em maio de 2018, Bessa foi acusado de dar um soco em um subsecretário do Governo do DF. Em novembro do mesmo ano, trocou empurrões com o ex-deputado Alberto Fraga (DEM). O parlamentar é um dos grandes amigos do ex-secretário de Relações Institucionais do DF, o delegado de polícia Durval Barbosa, que ganhou fama nacional em 2009, ao delatar o chamado “Mensalão do DEM” —  um esquema de corrupção operado no governo de Brasília e que tinha como principal beneficiário o então governador José Roberto Arruda, marido da ministra Flávia Arruda. Durval gravou e entregou ao Ministério Público um vídeo em que o ex-governador aparecia recebendo um maço de dinheiro.

Curiosamente, Bessa, amigo do algoz de Arruda, assume agora a vaga deixada pela mulher do ex-governador. Uma reportagem de VEJA publicada na última edição mostra que Flávia também foi envolvida nas denúncias de corrupção do delator. De acordo com Durval Barbosa, o Instituto Fraterna, presidido por Flávia Arruda, teve despesas pagas com dinheiro público desviado.

A ONG da primeira-dama foi investigada, mas o caso acabou arquivado. O delator não apresentou provas das acusações e nem a polícia conseguiu encontrar nada que incriminasse a nova ministra do governo Bolsonaro. O mesmo não se pode dizer do ex-governador. José Roberto Arruda foi preso e condenado por corrupção a 11 anos de cadeia em outros dois processos. Ele recorre em liberdade.

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