O Almirante vai desfazer o gabinete do ódio ou ficará a ver navios?

O almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos do Palácio do Planalto, assumiu, interinamente, o cargo deixado vago por Fabio Wajngarten na Secretaria Especial  de Comunicação (Secom). A pergunta que não quer calar numa ala mais moderada do governo é: o militar da ativa herdará também o gabinete do ódio, “coordenado” pelo o filho do presidente, Carlos Bolsonaro? Caso isso aconteça, vai ser mais uma militarização do absurdo.

Como informou a coluna, o almirante é reservado e, pelo seu jeito discreto, conseguiu passar ileso diante da pressão sobre alguns membros das Forças Armadas que ainda estão na ativa, mas fazem parte do staff do presidente Jair Bolsonaro. Isso tudo porque atua de forma mais estratégica, movendo-se nos bastidores.

Agora que está na Secom, Flávio Rocha terá um grande desafio porque o forte da comunicação de Bolsonaro nunca foi a institucional. Prova disso é o que acontece na porta dos Palácios do Planalto e do Alvorada – ele fala com os radicais, e isso gera crises institucionais em série.

O outro braço da estratégia de comunicação adotada por Bolsonaro, Carlos e sua equipe é a da milícia digital, que tem braços atuantes diretos do governo. Um dos amigos de Carlos, Tercio Arnaud, assessor especial da Presidência da República, foi citado em depoimentos no inquérito das Fake News, em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), como um dos responsáveis por passar informações para blogueiros, alimentando notícias falsas nas redes sociais.

O Facebook, inclusive, chegou a tirar do ar uma série de perfis e páginas que divulgavam fake news passadas por Tércio, segundo as investigações. Diante desse quadro, caso Flávio Rocha tente fazer uma comunicação mais técnica, é bom lembrar que o general Otávio Rêgo Barros já esteve neste mesmo lugar, mas fracassou.

O então porta-voz do governo acabou sendo exonerado depois de 1 ano e 9 meses na função. O desgaste ocorreu a partir do momento em que Bolsonaro começou a falar diariamente no Palácio da Alvorada, provocando essas crises desnecessárias. Com a reativação do Ministério das Comunicações, o presidente parou de atender a imprensa, o que acabou esvaziando a função de Barros.

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