O depoimento da ‘Capitã Cloroquina’ — a mãe do TrateCov, segundo Pazuello

Nona testemunha — e primeira mulher — convocada a depor na CPI da Pandemia, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, chegará ao Senado na manhã desta terça-feira protegida parcialmente pelo direito ao silêncio, a exemplo do ex-ministro Eduardo Pazuello.

E foi justamento no depoimento dele que a situação de Mayra se complicou na comissão. O general disse que foi dela a iniciativa de criar a controversa plataforma TrateCov, que prescrevia medicamentos como a hidroxicloroquina — sem eficácia comprovada contra a Covid-19 — até para crianças e gestantes com a doença.

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, por defender o remédio com unhas e dentes, ela foi agraciada na sexta-feira com a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, permitindo que ela se cale diante de perguntas que envolvam fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, objetos de investigação em uma ação de improbidade que está em tramitação na Justiça Federal do Amazonas — na qual ela responde juntamento com Pazuello.

Mas Lewandowski determinou a secretária deverá prestar os esclarecimentos que forem solicitados pelos senadores sobre os demais assuntos. Mayra deverá ser cobrada a responder pelos altos índices de mortalidade dos profissionais de saúde pela Covid-19, equipamentos de proteção individual e, principalmente, a cloroquina.

A convocação da secretária foi proposta em quatro requerimentos, assinados por cinco senadores, entre eles o relator, Renan Calheiros.

No seu pedido, ele aponta que quer que Mayra esclareça por que, “por inúmeras vezes, defendeu a utilização de cloroquina no tratamento contra a Covid, e também informar sobre questões relativas a isolamento social, vacinação, postura do governo, propaganda oficial, omissão de dados, entre outros temas ligados à sua atuação como secretária”. O depoimento promete ser longo.

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