O diabo veste máscara

Ao som de uma canetada oriunda do Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio da Silva tiraram do armário o figurino e assumiram as vestes da moderação. O presidente no ato de usar a máscara de proteção e outro dia mesmo condenava e o ex-presidente ao dar lições de como se deve gerir o país em momentos de crise, esquecido do desastre que foi a gestão da crise aérea que assolou o Brasil entre 2006 e 2007.

Considerando que o passado (recente e remoto) condena a ambos, precisarão de algo mais que gestos e falas simbólicas para dar consequência ao jogo de cena da moderação e da eficácia governamental.

Bolsonaro precisou de um tranco de João Doria e de um forte solavanco de Lula para se dar conta de quanto foi improducente do ponto de vista eleitoral, sua opção preferencial pelo negacionismo no trato da pandemia.

Lula precisou do empurrão do ministro Edson Fachin para colocar sua liderança a serviço das boas práticas na lida da crise sanitária. Antes da anulação de seus processos na Lava Jato não estava impedido de falar e o fez muito timidamente e uma fez equivocadamente, quando considerou o vírus como “uma boa” oportunidade de valorização do SUS. Só resolveu entrar de sola do assunto quando se lhe foi dada a chance de, com ele, reentrar no cenário como protagonista de perspectiva de candidatura.

Sendo candidato ou não, a ele interessa ser visto como tal, pois isso lhe garante espaço privilegiado como antagonista de Bolsonaro. Único, aliás, uma vez que Dória ainda não conseguiu adquirir tamanho para tanto.

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