‘O governo briga com a verdade’, diz senador que abrirá trabalhos na CPI

Na véspera da reunião de abertura da CPI da Covid, o senador Otto Alencar (PSD-BA) criticou a falta de planejamento do governo federal para lidar com a pandemia de Covid-19 e a forma como o presidente Jair Bolsonaro atrapalha o enfrentamento à doença. Para ele, Bolsonaro persiste na estratégia de confundir a população porque está preocupado com as investigações na comissão.

“Estamos numa situação muito preocupante. A CPI acontecerá no curso da crise sanitária, então ela precisa mostrar os erros que foram cometidos e as mudanças que precisam ser feitas. Bolsonaro nomeou um general (Eduardo Pazuello) para o Ministério da Saúde. Será que militares aceitariam um sanitarista no comando do Exército? Foi uma coisa errada. E o general ainda se submeteu às ordens do presidente. Por isso enfrentamos essa situação hoje”, disse Alencar, que tem anos de experiência como médico.

Por ser o senador mais idoso da CPI (73 anos), Alencar comandará nesta terça-feira, 27, a sessão que abre os trabalhos da comissão. Nela, o senador Omar Aziz (PSD-AM) deverá ser eleito o presidente da comissão, enquanto Randolfe Rodrigues (Rede-AP) deverá ocupar o posto de vice. A tendência é Aziz indicar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) para ocupar a relatoria da CPI.

Uma das primeiras testemunhas que a CPI deve convocar para prestar esclarecimentos é Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência (Secom). Em entrevista a VEJA, ele declarou que houve “incompetência e ineficiência” do Ministério da Saúde na compra de vacinas. Wajngarten declarou que a pasta nem sequer respondeu a uma carta em que a farmacêutica Pfizer oferecia 70 milhões de doses do seu imunizante.

“O Fabio foi um homem do governo. Aquela declaração confirma o que se suspeitava sobre a incompetência e a falta de planejamento para a compra da vacina. Só o Brasil não seguiu o protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS). E o presidente continua na mesma batida, falando em tratamento precoce, sem usar máscaras e provocando aglomerações. Chama a atenção por que ele está fazendo isso e confundindo as pessoas de forma tão inconsequente”, disse Alencar.

Para o senador, além de apontar os culpados pela inação do governo, a CPI terá a missão de estabelecer a verdade sobre como o país chegou a uma situação tão grave na crise sanitária, com quase 400.000 mortos. “Bolsonaro está muito preocupado com a CPI e insiste em apostar na confusão, dizendo que vai colocar o Exército na rua ou que vai dar um novo grito de independência. Só que no caso dele, esse grito é só de morte”, afirmou Alencar. “A falta de vacinas é insuportável para um país como o nosso. O pior é o governo falar que está vacinando muito, é uma desinformação permanente. O governo briga com a verdade o tempo todo. Isso tudo é muito grave.”

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