O Grande Tchan

Quem acha que esse governo não planeja as coisas é porque ainda não parou para estudar as referências. Concordo que é difícil acompanhar o ritmo das piadas toscas em meio a tanta tragédia, mas é nessas entrelinhas que moram os preparativos das atrocidades…

Para entender todo esse inferno astral que estamos vivendo basta analisar com atenção a obra mais famosa do grupo É o Tchan, que foi subvertida pelo Planalto e transformada em plano de destruição em massa.

Parece loucura, mas quem deu a dica foi o próprio Pazuello, talvez num lapso de sinceridade.

Logo após o primeiro dia na CPI, ao ser questionado por um repórter da Globo, ele soprou: “É uma chance de esclarecer né, galera? Acho que esse é o grande Tchan”.

Aí é que entra o plano elaborado…

Para quem não lembra, uma das músicas mais famosas do grupo É o Tchan, febre nos anos 90, se chama “Segura o Tchan”. A letra tem versos que casam perfeitamente com as ações do general e do presidente.

Ela começa falando que “Pau que nasce torto / Nunca se endireita / Menina que requebra / A mãe pega na cabeça”.

O torto que nunca se endireita pode tanto ser o ministro quanto o presidente, é verdade, mas a menina “que requebra e a mãe pega na cabeça” só pode ser o próprio Pazuello. Basta lembrar que quando o ministro ensaiou comprar a vacina chinesa, Bolsonaro logo cortou o requebrado do subalterno.

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As estrofes seguintes da música são mais fáceis ainda. Quando diz que “Domingo ela não vai / Vai, vai / Domingo ela não vai não / Vai, vai, vai”, fica clara a referência ao jogo do general para tentar escapar da CPI, quando “fez que foi, não foi, mas acabou ‘fondo’”, como dizia um antigo jogador de futebol.

O refrão da letra é sem dúvida a maior rebolada da dupla governista. Quando Pazuello diz que “o grande tchan” da CPI era “uma chance de esclarecer”, mas só criou cortina de fumaça, oscilando entre mentiras e contradições, tudo que ele fez foi seguir à risca a  ordem da música. Segurou o Tchan como ninguém. Amarrou o Tchan até não poder mais. Quase desmaiou abraçado com o Tchan no fim do dia, é verdade, mas conseguiu não largar. Pelo menos não ali na frente do Brasil.

Já seria suficiente para mostrar o plano infame, mas não acaba aí. As últimas estrofes são ainda mais esclarecedoras.

Quando fala que “Tudo que é perfeito / A gente pega pelo braço / Joga ela no meio / Mete em cima / Mete embaixo”, faz referência às vacinas, que foram atacadas de todos os lados pelo governo. Só não foram compradas para meterem onde realmente deveriam: nos braços dos brasileiros.

E se resta dúvida de que foi uma ação orquestrada, alguém lembra como termina a letra?

Pois é… “Depois de nove meses / Você vê o resultado”. Aí é só contar nos dedos.

Foi em agosto de 2020 que as grandes ofertas de vacina da Pfizer foram ignoradas. Passados nove meses, estamos exatamente em maio de 2021. Taí o resultado. Mais de 460 mil mortos e muito menos vacinas do que deviam, enquanto a dupla do Tchan falsificado aglomera e passeia de velocípede sem máscara, espalhando o vírus em vez da proteção.

Como disse o general na CPI: “missão cumprida”. Só não sabíamos que a missão era dançar uma versão infernal do Tchan com a vida do povo brasileiro.

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