O mantra do Centrão: Bolsonaro vai ser reeleito

A eleição do novo comando do Congresso Nacional deu ao chamado Centrão uma injeção de ânimo com a aliança firmada, há quase um ano, com o governo de Jair Bolsonaro. Na avaliação de lideranças dos partidos de centro, a chegada de Arthur Lira (Progressistas-AL) ao comando da Câmara e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à chefia do Senado vai abrir caminho tanto para a agenda de reformas quanto para uma pauta assistencialista – combinação, na visão do grupo, que pavimentará a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.

O otimismo contrasta com a avaliação de Jair Bolsonaro perante a população. De acordo com o último Datafolha, de dezembro para janeiro o presidente viu sua aprovação cair de 37% para 31%. A rejeição, no sentido oposto, subiu de 32% para 40% no início de 2021. Uma tormenta passageira, avalia o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), artífice da aproximação dos partidos de centro com o governo e da formação da nova composição do Congresso.

“Isso não me preocupa em nada. O presidente que vai ser eleito é o de 2022, ninguém vai votar lembrando como estava a situação em 2021. O presidente agora tem de aprovar as medidas para chegar bem em 2022. Eu, que sou um aliado e vou votar com ele de qualquer forma, não tenho essa preocupação. Quem elege o presidente da República é a economia”, afirma Nogueira.

O senador ressalta ainda o que chama de “um paradigma do Brasil”: nenhum presidente perdeu a disputa em sua tentativa de reeleição. Nem mesmo Lula, que, em 2005, teve seu governo ameaçado após a revelação de um esquema de compra de apoio político, conhecido como o escândalo do mensalão.

“Lembro que no primeiro mandato do Lula, quando estourou o mensalão, alguns líderes da oposição defendiam que não o derrubassem e o deixassem sangrando, que era melhor. Não funcionou. O Lula estava popular com o Bolsa Família e com outros programas sociais, acabou reeleito”, diz Nogueira.

O senador faz um paralelo sobre a atuação de Bolsonaro na pandemia. “Falavam que o Bolsonaro tinha sido um desastre na vacinação. Ao fim, quem foi que vacinou a população? Ele. O índice de vacinação do Brasil já está entre os melhores do mundo. Você acha que as pessoas, daqui a seis meses, vão se lembrar de Bolsonaro durante a pandemia? As coisas são assim. O eleitor vota na época”, sustenta.

A avaliação do senador explica o esforço do governo em abrir espaço fiscal para retomar o pagamento de um auxílio financeiro às camadas mais baixas e afetadas pela pandemia. Além disso, há o empenho para reformular o Bolsa Família, de modo a ampliar tanto o valor quanto a quantidade das parcelas. A reformulação passa ainda no nome do programa, deixando nele a digital de Bolsonaro.

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