O que sobra de estratégia para o governo na CPI? 

A estratégia que resta ao governo neste começo da CPI da Covid é entupir a mesa do relator da Comissão, senador Renan Calheiros, de requerimentos e pedidos de informação sobre os estados. Outra ideia é a de convocações de médicos favoráveis ao tratamento precoce contra a doença. Isso, além de criar as falsas questões de ordem que atrapalhem os trabalhos. Não deve funcionar muito.

No primeiro dia da CPI, eles conseguiram atrasar um pouco os trabalhos, mas colheram seguidas derrotas e outros desgastes. Um deles, foi o voto do senador governista Ciro Nogueira (PP-PI) para eleger o presidente Omar Aziz ( PDS-AM). Nogueira já foi da base de apoio dos governos petistas, e agora é bolsonarista. 

Mas o sinal que fica de alerta é que ele sempre pode mudar de novo de ideia, se achar, por exemplo, que o barco está afundando. Outro desgaste aconteceu entre o governo e o senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado e acusado por Flávio Bolsonaro de ser ingrato. Também houve um ataque de Flávio Bolsonaro ao senador Eduardo Braga. Ou seja, primeira sessão da CPI criou muitas arestas

O tom do discurso de Renan Calheiros, escolhido relator da CPI, foi fortemente oposicionista. Ele falou em crimes contra a humanidade, que são imprescritíveis, e criticou a presença dos militares na Saúde usando a frase: “a ordem é clara, militares nos quartéis, e médicos na saúde”. As tentativas governistas de impedir sua nomeação só aumentaram a irritação de Calheiros contra o governo, que é uma raposa bem velha na política.

A estratégia agora é continuar no diversionismo, que já deu ao governo vitórias pequenas, como a de ter colocado no fato determinado da Comissão que também serão investigados os repasses aos estados. Nesta terça-feira, 27, antecipando-se a qualquer pergunta, o governador do Rio Grande do Sul foi ao Senado entregar a Pacheco e a Calheiros a sua prestação de contas.

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