O risco de o Exército aceitar a quebra da disciplina militar por Pazuello

O anexo I do regulamento disciplinar do Exército relaciona uma série de atos que são transgressões. Um deles é o de participar de manifestação de cunho político. Quem explicou isso recentemente foi o general Hamilton Mourão.

O vice-presidente achava que Pazuello tinha que ser punido. Não era o único a pensar assim, afinal essa é a ordem nas Forças Armadas, seguir rigorosamente a disciplina militar.

Pazuello desrespeitou essa norma, mas disse que não estava desrespeitando e não foi punido. Essa decisão significa, para a maioria dos analistas militares, a “aceitação do inaceitável desrespeito à disciplina dos quartéis”.

A decisão do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira de não punir Pazuello representa uma rachadura na estrutura de concreto que é o código de conduta dos militares que impede a politização das Forças Armadas. O comandante poderia ter optado por uma punição branda, como a de uma admoestação por escrito.

Mas nem isso Pazuello aceitou, já que marcaria a sua biografia militar. Na caserna – ou internamente nas Forças Armadas – uma chamada disciplinar fica para sempre como mancha na história do militar. O que acontece é que o registro permanece como uma falha na chamada Folha de Alterações, que reúne detalhadamente o histórico no Exército. Ou seja, ficará registrado para sempre que ele recebeu uma reprimenda do comandante.

O fato é que o general Eduardo Pazzuelo fez uma participação ostensiva num ato político. Exatamente o que era proibido. Até o fato de ir para o palanque sem máscara – a mesma que garantira usar quando depôs na CPI – era parte do show político-eleitoral de Jair Bolsonaro.

O temor da maioria dos analistas é que a partir de agora haja uma submissão do Exército ao grupo político do presidente, e ao mesmo tempo seja um estímulo para outros atos de indisciplina.

Como disse recentemente o general Santos Cruz, a ordem no Exército é uma só. “De soldado a general tem que ser as mesmas normas e valores. O presidente e um militar da ativa mergulharem o Exército na política é irresponsável e perigoso”, disse o militar da reserva. Na decisão de não punir Pazuello, o próprio comandante fez também esse perigoso mergulho.

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