Parece que Bolsonaro vai vencer mais uma

Bolsonaro nomeou o general insubordinado Eduardo Pazuello para uma cargo na Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência.

É mais um tapa na cara dos generais.

Enquanto isso, o Alto Comando do Exército dá como certa a punição a Pazuello, mas aceitaria que fosse branda, e que, para esfriar o assunto, viria somente na data-limite.

É incrível a ingenuidade política dos militares. Até as emas do Alvorada sabem que o objetivo de Bolsonaro é quebrar a hierarquia das Forças Armadas e submeter a tropa a seu comando direto e pessoal, mas os generais acreditam que é possível fazer com que o presidente veja a luz e passe a respeitar sua autoridade —coisa que qualquer um de fora da caserna sabe que não acontecerá. E, para escapar do confronto, vão fazendo concessões.

Não por acaso, Bolsonaro até agora venceu quase todas as paradas. A última foi a inauguração de uma ponte irrelevante no meio do nada, para a qual levou o comandante do Exército, no que era uma óbvia cilada: qualquer um com um mínimo de habilidade política inventaria que estava doente e mandaria um representante.

Mas o general Paulo Sérgio, disciplinado, foi. Ao arrastar o comandante a um evento onde ele não tinha motivo para estar, Bolsonaro mostrou quem manda e quem obedece. Uma vez lá, o general passou pelo constrangimento de participar de uma aglomeração, ouvir calado um discurso golpista e ainda receber a ordem (ilegal) de deixar Pazuello impune.

Se Pazuello receber uma punição apenas protocolar, vinda depois de o assunto estar frio, os generais podem acreditar que o regulamento foi cumprido, mas o resultado político prático terá sido mais um triunfo do presidente sobre as Forças Armadas.

E mais uma vez Bolsonaro baterá bumbo em suas redes gritando que “seu” Exército faz o que ele manda, e minando ainda mais a hierarquia.

E a bolsosfera acreditará piamente no presidente. Com toda a razão.

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